EU NÃO CREIO EM RELIGIÕES, EU CREIO EM DEUS

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Por Jacqueline K

Nos debates acerca de deuses, religiões e ateísmo, é comum me deparar com pessoas que se declaram não religiosas porém crentes em um deus, que seria diferente daquele descrito pela religião (no Brasil, sempre que se fala em deus, todos inferimos que é do deus bíblico que se está falando, já que é o mais disseminado aqui, por essas bandas).

A pergunta que sempre faço para essas pessoas é: se o deus em que você crê não é o deus bíblico nem o de nenhuma outra religião, como você conheceu ou descobriu esse deus?
As respostas a essa pergunta diferem em palavras, mas não diferem muito na essência:
a) Eu sei que Deus não faria o que a Bíblia diz que ele fez;
b) As religiões deturparam Deus, ele não é nada daquilo que elas dizem;
c) Eu não creio em um deus, mas em uma força maior;
d) Eu sinto que ele existe;
e) Todas as respostas anteriores(!)
O que essas respostas têm em comum? Todas partem do mesmo princípio (embora quem pense assim não perceba), e esse princípio é: “eu sei o que Deus é, como ele é, o que faz e como pensa e todas as religiões estão erradas”.
Resumindo: a pessoa que diz não crer em nenhum deus de nenhuma religião, mas crê em um deus ou força maior simplesmente CRIOU esse deus ou força maior em sua cabeça.

Todos os conceitos de deus que temos nas sociedades modernas têm origem ou estão atrelados a uma religião.
O que ocorre é que um indivíduo, não tendo se sentido devidamente satisfeito com esses conceitos de deus que lhe são oferecidos pelas religiões, decide, ele mesmo CRIAR o seu deus em sua cabeça, dando-lhe os atributos, poderes, qualidades, quereres e comportamentos que mais se adequam ao que essa pessoa considera dignos de um ser divino superior.

A segunda pergunta que faço a essas pessoas é: mas, então, esse deus verdadeiro, que jamais foi conhecido por religião ou pessoa alguma no mundo inteiro só se revelou para você? Apenas você compreendeu a verdadeira essência de deus?
Nesse ponto, geralmente a resposta é meio nebulosa, algo evasivo, incerto, emocional ou pouco crítica: “eu sinto esse deus, eu acho que deus é isso e aquilo, é nisso que eu creio”.
Ou seja, a pessoa cria uma ideia de um deus só para ela, qualifica-o como quer, descreve-o como quer, sente-o como sente e passa a crer que ele é real e que ela é a única pessoa no mundo que compreendeu esse deus.
E não está errada, afinal, sendo esse deus uma criação dela, só ela o compreenderá, é claro!

Quando tais pessoas não criam um deus completamente diferente de todos os conceitos de deuses descritos nos livros das religiões, dá-se o que eu chamo de reedição seletiva: a pessoa parte do modelo do deus cristão e o reedita, cortando e colando aqui e ali, até que esse deus se pareça mais com o que ela considera ideal para um deus, então ela passa a crer que é assim que deus é, do jeitinho que ela o reeditou:
Deus mandou matar, estuprar, torturar? Corta e joga fora.
Deus disse que amava a todos? Mantém e se apega a isso.
Deus é vingativo, cruel e sanguinário? Corta e joga fora.
Deus é justo, bom e misericordioso? Mantém e se apega a isso.
“Deus não discrimina negros, mulheres, homossexuais, deficientes físicos. Deus não mata ninguém. Deus não castiga ninguém. Deus não criou o mal. Deus não é um ser como uma pessoa, é algo além da nossa compreensão. Deus é o motivo de tudo. Deus é a natureza e a vida. Deus não é aquilo, aquilo e aquilo outro. Deus é assim, assim e assim, COMO EU PENSO E SINTO que ele é.”

Parece surreal, inacreditável, imaginação minha que alguém crie uma ideia e creia nessa ideia como sendo a única real, mas se não acreditam, façam o teste com alguém que diz não crer nos deuses das religiões, mas crer em um deus diferenciado… e me contem depois.

Nunca me canso de repetir, em praticamente todos os meus artigos, para que a abrangência desse fato seja lembrada sempre: a espiritualidade, o misticismo, o sentimento do divino e os conceitos sobrenaturais professados pelas religiões são parte da bagagem cultural de todos os seres humanos nascidos e educados em sociedades cuja população é de maioria religiosa.
Todos nessa sociedade, professando ou não a crença da maioria, estão sujeitos à sua influência no seu modo de pensar e entender o mundo.

Não é possível viver em uma sociedade sem sofrer sua influência cultural e nossa mentalidade é fruto também, e muito, dessa influência; negá-la apenas a reforça em nós, uma vez que não sendo reconhecida, não haverá motivos para lutar contra ela.
E isso vale para todas as ideias de origem mística e religiosa, ou defendidas pelas religiões, não só para a ideia da existência de um deus ou força maior que criou tudo, que está cuidando de nós ou que tem um propósito para nós, no final de tudo.

A influência do misticismo e da religião na nossa mentalidade se dá em âmbitos que nem sequer suspeitaremos, caso não paremos para analisar o que pensamos que são nossas conclusões lógicas e não percebemos que podem ser ideias que nos foram implantadas principalmente pelo Cristianismo; tais como a vida existindo em algumas células aglutinadas porém sem cérebro, na cavidade intrauterina, e a ideia de que retirá-las de lá é errado; ou a ideia de que existem orientações sexuais ‘anormais’ e ‘erradas’, pois há um modelo ‘certo’; a sensação de que há algo de negativo em mulheres fazendo sexo o tempo todo, na hora em que quiserem e com quem quiserem e por isso elas estão ‘erradas’, já que não seguem o modelo ‘certo’; a ideia de que o ser humano é naturalmente mal ou propenso ao mal, estando sempre ‘errado’ e por isso o mundo está do jeito que está; e muitas outras.

Todas essas concepções são, em sua essência, em maior ou menor medida, defendidas por religiões e pela ideia de que a natureza e o ser humano não são frutos aleatórios de eventos aleatórios, mas que obedecem a uma ordem maior, regidos por um modelo preexistente do que é certo e errado, devendo, por isso, seguir certas regras de conduta e pensamento.
É esse o grande mal das religiões, da crença em um deus ou força maior e do pensar místico do mundo.

Ora, não há ordem, regra ou propósito algum na natureza nem na vida humana, senão aqueles que damos à nossa vida.
Não há nenhum motivo racional para se ser contra o aborto, para considerar orientações sexuais diversas da heterossexualidade como anormais ou erradas, para determinar o que é certo e o que é errado no comportamento sexual das mulheres, nem há motivo racional algum para que o ser humano seja considerado propenso ao mal.

Somos todos seres naturais regidos por leis naturais, e nenhuma delas comporta os conceitos de certo e errado.
O que nos dá esses conceitos é a nossa racionalidade.

Nosso poder de raciocínio nos dá a capacidade de olhar para outro ser humano e perceber que ele é igual a nós em tudo e por tudo e que, por isso, tem os mesmos direitos que nós; é a nossa racionalidade que nos diz que não devemos matar, roubar, torturar, estuprar, discriminar, violentar outro ser humano seja de que forma for, pois ele é igualzinho a nós.

A ideia de que existe uma ordem e um modelo de certo e errado a que devemos seguir que não seja o de igualdade total de direitos entre os seres humanos não é natural nem ética.
É religiosa.

Libertando-nos da ideia de um deus, de um propósito externo a nós para nossa vida, de uma ordem maior e de um modelo preexistente do que é certo ou errado abrimos o caminho para uma sociedade igualitária, empática e solidária, sem amarra alguma que não seja a nossa ética racional.

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HUMANISMO X ATEÍSMO X MOVIMENTOS IGUALITÁRIOS

Por Jacqueline K content_pic Opor movimentos pelos direitos das minorias e pelos direitos de grupos oprimidos ao movimento humanista é um contra-senso. Não são a mesma coisa mas fazem parte do mesmo escopo ideológico segundo o qual todos têm direitos iguais, independente de identidade de gênero, orientação sexual, cor da pele ou etnia, religião ou não crença ou classe social.

Por definição, todos os movimentos que lutam por direitos iguais para as minorias e para os grupos historicamente oprimidos se incluem no humanismo.

Tentar desqualificar as lutas dos oprimidos conclamando-os a lutarem ‘apenas’ pelo humanismo e não pelas suas necessidades específicas e contra as opressões direcionadas que sofrem é contribuir para sua discriminação, diminuindo o peso dessas opressões e banalizando os vários tipos de violência a que esses grupos estão sujeitos simplesmente por não fazerem parte dos grupos dominantes.

A luta dos negros é específica; a luta das mulheres é específica; a luta dos ateus é específica; a luta de gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros é específica; a luta dos trabalhadores é específica. E todas essas lutas são, em última instância, em prol do humanismo.

A nossa sociedade ocidental foi estruturada sob o ponto de vista do homem branco e heterossexual; além disso, somos em maioria governados dentro do sistema capitalista e ainda sob a égide do Cristianismo. Sendo assim, qualquer indivíduo ou grupo humano que não seja homem, branco e heterossexual, que não seja cristão e que não detenha o capital e os meios de produção se enquadrará nas características denominadas hoje de minorias ou oprimidos.

O ateísmo é uma circunstância de quem não crê em deus ou deuses. Sendo nossa sociedade majoritariamente cristã, indivíduos ateus se enquadram também como minoria social. Ateus defendendo as diferenças de tratamento social e de direitos entre homens e mulheres não os torna menos ateus, mas certamente demonstra que não são humanistas; assim também ateus defendendo a diferença de tratamento e de direitos entre heteros e LGBTs, e entre brancos e negros.

Cada movimento luta pela sua visibilidade, pelos seus direitos e pela sua representatividade na sociedade em igualdade de condições para com o setor social dominante e contra essa diferença opressora. Ateus, negros, trabalhadores, mulheres, índios, gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros se organizam em torno da ideia humanista de que todos os seres humanos são verdadeiramente iguais em direitos.

Alguém pode questionar o porquê de não se incluir nessa lista os cristãos, os latifundiários e empresários, os homens brancos e os heterossexuais…

Por que esses grupos não fazem parte das minorias, nem dos oprimidos; o que não quer dizer que não sejam oprimidos em alguma instância ou que sejam eles sempre opressores, ou que oprimam conscientemente todos os outros. Dizer que um indivíduo ou um grupo é dominante e historicamente opressor quer dizer que desfrutam de privilégios sociais desde que nasceram, independentemente de concordarem ou não com o status quo macho-hetero-branco-cristão-capitalista da nossa sociedade.

Assim, quando brancos se posicionam contra o movimento dos negros contra o racismo, alegando que praticam um ‘racismo contrário’, quando homens se posicionam contra o movimento feminista alegando que praticam a ‘misandria’, quando heterossexais se posicionam contra os movimentos LGBTs alegando que pretendem uma ‘ditadura gay’, quando cristãos se posicionam contra o ateísmo alegando que são ‘imorais e pecadores’ e quando capitalistas se posicionam contra os movimentos dos trabalhadores alegando a ‘meritocracia’ estão, todos esses opositores, na verdade, lutando para manter seus privilégios, a que estão tão acostumados que os vêem como naturais, imutáveis, corretos e mesmo – pasmem! – necessários para o bom andamento da sociedade.

Qualquer indivíduo que se pretenda humanista terá, por definição, a obrigação ética de apoiar as lutas das minorias e dos grupos oprimidos, sem questionar sua legitimidade e sem pretender definir suas lutas ou como elas devem ser praticadas. Qualquer um que oponha as lutas das minorias e dos grupos oprimidos ao humanismo, como se estes fossem excludentes, ou não conhece essas lutas a fundo ou não conhece as características humanistas a fundo.

Para praticar o humanismo não é necessário diluir as lutas específicas de outros grupos mas, ao contrário, fortalecê-las apoiando-as, conhecendo-as e contribuindo para que, de luta em luta, de conquista em conquista, o humanismo possa, um dia, ser uma prática cotidiana, transformando nossa sociedade em uma sociedade verdadeiramente igualitária.

Doutrinação religiosa infantil – Direito dos pais – Crime contra a infância

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Imagem: Vídeo sobre doutrinação de crianças, baseado no documentário “Jesus Camp”, do canal ‘ciclistasemdeus’.
Este vídeo não é recomendado para menores de 18 anos, pois algumas cenas podem ser perturbadoras. Fica a critério do espectador prosseguir.

Por Jacqueline K

No Brasil a legislação específica para a proteção da criança e do adolescente está presente em uma série de regras e leis estabelecidas pelo país, sendo a mais importante a Constituição Federal, no seu art. 227: “É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda a forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”.
E, mais especificamente para a infância, no ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente, entre vários, o artigo 22: “Aos pais incumbe o dever de sustento, guarda e educação dos filhos menores, cabendo-lhes ainda, no interesse destes, a obrigação de cumprir e fazer cumprir as determinações judiciais”.
Em âmbito mundial, a ONU – Assembleia Geral das Nações Unidas – adotou a Convenção sobre os Direitos da Criança – Carta Magna para as crianças de todo o mundo – em 20 de novembro de 1989, e, no ano seguinte, o documento foi oficializado como lei internacional, sendo aceita por 193 países – apenas os Estados Unidos da América e a Somália não a ratificaram.
A Convenção estabeleceu, entre outros direitos, que “todas as crianças têm assegurados os direitos a expressar suas opiniões livremente sobre todos os assuntos relacionados a ela, e tais opiniões devem ser consideradas, em função da idade e da maturidade da criança. Também o direito à liberdade de expressão, à liberdade de procurar, receber e divulgar informações e ideias de todo tipo, independentemente de fronteiras, de forma oral, escrita ou impressa, por meio das artes ou de qualquer outro meio escolhido pela criança; à liberdade de associação e à liberdade de pensamento, de consciência e descrença, sendo que a liberdade de professar a própria religião ou as próprias crenças estará sujeita, unicamente, às limitações prescritas pela lei e necessárias para proteger a segurança, a ordem, a moral, a saúde pública ou os direitos e liberdades fundamentais dos demais. Ainda estabelece que “a criança terá direito a receber educação, que será gratuita e compulsória pelo menos no grau primário. Que ser-lhe-á propiciada uma educação capaz de promover a sua cultura geral e capacitá-la a, em condições de iguais oportunidades, desenvolver as suas aptidões, sua capacidade de emitir juízo e seu senso de responsabilidade moral e social, e a tornar-se um membro útil da sociedade. Os melhores interesses da criança serão a diretriz a nortear os responsáveis pela sua educação e orientação; esta responsabilidade cabe, em primeiro lugar, aos pais – Artigos 12, 13 e 14.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, no seu artigo 18, garante que “toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar a religião, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos.”
O Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, artigo 18, diz que “1. Toda pessoa terá direito à liberdade de pensamento, consciência e religião. Esse direito incluirá a liberdade de ter ou adotar uma religião ou crença de sua escolha e a liberdade de manifestar sua religião ou crença, individualmente ou coletivamente, pública ou privadamente, por meios de cultos, celebrações, práticas e ensino.
2. Ninguém será submetido a coerções que possam restringir sua liberdade de ter ou adotar uma religião ou uma crença de sua escolha. 3. A liberdade de manifestar a própria religião ou as próprias crenças só poderá estar sujeita a limitações estabelecidas em lei e que se façam necessárias para proteger a segurança, a ordem, a saúde ou a moral pública ou os direitos fundamentais e as liberdades das demais pessoas.
4. Os Estados-Partes no presente pacto comprometem-se a respeitar a liberdade dos pais e, quando for o caso, de tutores legais, de assegurar a educação moral e religiosa de seus filhos, de acordo com suas próprias convicções.”
O CAOPJDC – Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça dos Direitos Constitucionais, orienta a interpretação dos direitos humanos relativos à liberdade de crença religiosa, enunciando que “uma observação que comporta fazer é a de que a liberdade de crença e de culto da criança e do adolescente é estreitamente conexa com a de sua família. Terceiros, autoridades, entidades e instituições não podem impor crenças e cultos às crianças e adolescentes, mas não se pode recusar aos pais o direito de orientar seus filhos religiosamente, quer para uma crença quer para o agnosticismo. É um direito que lhes cabe, como uma faculdade do pátrio poder, mas especialmente em razão do dever que lhes impõe de educar os filhos menores”.
Ora, sendo que tanto o adulto como a criança têm direito à liberdade em sua instância maior, e especificamente à liberdade de pensamento e de crença, mas, ao mesmo tempo, o pátrio poder, dentro de todos os instrumentos reguladores da proteção à criança e ao adolescente garante aos pais o direito de educar seus filhos dentro de sua orientação religiosa, a pergunta que a sociedade – mais ainda, um Estado verdadeiramente laico – deveria se fazer é:
Até onde é benéfico para a criança ser doutrinada em um religião?
E, tendo em vista que o Brasil é um país de população majoritariamente cristã, até que ponto os pais estão zelando e garantindo o bem estar dos filhos se lhes ensinam que homossexualidade é abominação e não é natural, que a mulher deve obedecer ao homem, que a Teoria da Evolução não é verdade, que não se deve usar preservativos na relação sexual, que o Universo foi criado em seis dias, que serão castigados por toda a eternidade se não seguirem a religião dos pais?
A religião de forma geral, e o Cristianismo em particular, ensina que todas as pessoas do mundo que não seguem seus dogmas e preceitos devem ser convertidas, que estão em perdição, que é uma boa ação trazê-las para seu seio, que se justifica não se relacionar com essas pessoas pela sua opção religiosa diferente ou simplesmente por não ter opção religiosa alguma.
Observamos que, em todas as legislações e instrumentos legais para a determinação dos direitos humanos e das crianças e adolescentes, cabe, em primeira instância, aos pais, como um dever, assegurar o bem estar da criança, em todos os seus aspectos físicos e psicológicos e, como um direito, a responsabilidade pela sua formação religiosa, o que, na prática, caracteriza-se como uma violação dos direitos da criança, enunciados na Convenção dos Direitos da Criança, aceita pela maioria dos países, na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente.
Há, dentre os ensinamentos cristãos, incitação à homofobia, estímulo ao machismo, constrangimento e tortura psicológicos, ameaça de castigos eternos, cerceamento do direito ao livre pensamento, obstrução à educação científica, desestímulo à solidariedade e à empatia e ao pensamento racional e crítico.
As crianças filhas de cristãos veem-se condicionadas desde cedo a não pensar o mundo de forma racional, a não utilizar sua razão para entendê-lo, a crer em relatos sem evidências e contrários às leis naturais e a não exercitar o seu intelecto plenamente, uma vez que toda a bagagem de conhecimento humano acumulada na História estará sempre sujeita a um véu de fé religiosa que o impele a rejeitar esse conhecimento como equivocado ou pecaminoso ou a adequá-lo às suas noções religiosas que lhe foram ensinadas de forma impositiva.
Na área de Psiquiatria e em outras áreas de pesquisa da saúde, encontramos várias abordagens sobre a relação entre experiências religiosas e transtornos mentais, entre elas, um artigo da doutora Marlene Winell, que cunhou o termo STR – Síndrome do Transtorno Religioso, no qual descreve os sintomas, que seriam, além da ansiedade, depressão, dificuldades cognitivas e degradação do relacionamento social. Apesar da STR atingir pessoas de todas as idades, a doutora afirma que as crianças, como seria de se esperar, são suas maiores vítimas: “As pessoas doutrinadas pelo cristianismo fundamentalista desde criança podem ser aterrorizadas por memórias de imagens do inferno e do apocalipse”, disse. “Algumas sobreviventes desse período, as quais eu prefiro chamar de ‘recuperadas’, têm flashbacks, ataques de pânicos, ou pesadelos na vida adulta, mesmo quando se libertaram das pregações teológicas.”
Essas pessoas atendidas pela doutora Winell tiveram seus direitos à liberdade de pensamento e de crença totalmente negligenciados pelos seus pais ou responsáveis, e o Estado, em vários países do mundo, não ousa regularizar nem fiscalizar a atuação dos pais no que tange à educação religiosa de seus filhos, já que ainda tem precedência aos direitos da infância o direito dos pais ao pátrio poder.
Não há dúvidas de que o Cristianismo pode ter – e ao que tudo indica tem, em muitos casos do mundo contemporâneo – um efeito devastador não só sobre a racionalidade do indivíduo, como sobre sua saúde emocional e psicológica e, de acordo com todas as legislações de proteção à infância, qualquer outro setor social, pessoa ou instituição que atuasse junto às crianças como o Cristianismo, tal atuação seria enquadrada nos crimes de violênia e tortura psicológicas.
O Ministério Público, por meio do artigo “Varas Especializadas em Crimes praticados contra a Criança e o Adolescente: POSSIBILIDADES E LIMITES DA AÇÃO NA DEFESA DE DIREITOS” define, entre os tipos de violência, a violência doméstica nos termos: “”A violência doméstica consiste em “ toda ação ou omissão que cause prejuízo ao bem-estar, à integridade física, psicológica, à liberdade e ao direito do pleno desenvolvimento de outro membro que convive no mesmo espaço doméstico.
Na violência doméstica há basicamente três atores: quem comete a violência, a vítima e quem testemunha.
A violência psicológica humilha, menospreza, fere moralmente, ameaça, aterroriza, tortura, podendo manifestar-se isoladamente, mas encontra-se em todos os outros tipos de violência”.
E a Lei Nº 9.455, de 7 de Abril de 1997 descreve o crime de tortura da seguinte forma:
Art. 1º Constitui crime de tortura:
I – constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou mental:
a) com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira pessoa;
b) para provocar ação ou omissão de natureza criminosa;
c) em razão de discriminação racial ou religiosa;
II – submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade, com emprego de violência ou grave ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental, como forma de aplicar castigo pessoal ou medida de caráter preventivo.
Pena – reclusão, de dois a oito anos.
§ 1º Na mesma pena incorre quem submete pessoa presa ou sujeita a medida de segurança a sofrimento físico ou mental, por intermédio da prática de ato não previsto em lei ou não resultante de medida legal.
§ 2º Aquele que se omite em face dessas condutas, quando tinha o dever de evitá-las ou apurá-las, incorre na pena de detenção de um a quatro anos.
§ 3º Se resulta lesão corporal de natureza grave ou gravíssima, a pena é de reclusão de quatro a dez anos; se resulta morte, a reclusão é de oito a dezesseis anos.
§ 4º Aumenta-se a pena de um sexto até um terço:
I – se o crime é cometido por agente público;
II – se o crime é cometido contra criança, gestante, portador de deficiência, adolescente ou maior de 60 (sessenta) anos; (Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003).
No que se refere ao dever dos pais em garantir o bem-estar dos filhos e ao seu direito de escolher a religião dos mesmos sobrepondo-se aos direitos da criança ao bem-estar, ao cuidados físicos e psicológicos, temos que, em casos de sobreposição de direitos: “O direito que os pais têm à educação e formação dos seus filhos tem de ser compatibilizado com os direitos da criança”, explica Joana Marques Vidal, presidente do Instituto de Apoio à Vítima (…); a magistrada defende que “o respeito pelo superior interesse da criança, enquanto conceito indefinido, deve ter em consideração todos os aspectos que contribuem para o desenvolvimento saudável e harmonioso da criança, incluindo os vínculos afectivos”.
Diante do exposto, considero de suma importância o debate em torno da questão da doutrinação religiosa tanto pelos pais ou responsáveis como pelos líderes religiosos que atuam em templos, rituais e escolas de denominações religiosas, com o óbvio apoio dos pais.
Salvaguardar a saúde mental e emocional das crianças, seus direitos fundamentais à liberdade em todas as instâncias previstas nas leis, seu desenvolvimento intelectual pleno e seu futuro como cidadãos conscientes do mundo que os cerca, participantes ativos da produção intelectual, história e social de seu tempo e construindo-o de forma solidária, em acordo com o princípio do respeito à toda vida humana e aos seus direitos fundamentais.

LINKS:

VÍDEO: Doutrinação de crianças: https://www.youtube.com/watch?v=-2fjiiqhNhM

Constituição da República Federativa do Brasil:

http://www.senado.gov.br/legislacao/const/con1988/CON1988_28.11.2013/art_227_.shtm

ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069compilado.htm

Convenção dos Direitos da Criança: http://www.unicef.org/brazil/pt/resources_10127.htm

Declaração Universal dos Direitos Humanos: http://www.gddc.pt/direitos-humanos/textos-internacionais-dh/tidhuniversais/cidh-dudh.html

Declaração Universal dos Direitos Humanos – Declaração dos Direitos da Criança:

http://www.direitoshumanos.usp.br/index.php/Crian%C3%A7a/declaracao-dos-direitos-da-crianca.html

Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos:

http://www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/bibliotecavirtual/instrumentos/pacto.htm

CAOP da Criança e do Adolescente: http://www2.mp.pr.gov.br/cpca/telas/ca_igualdade_33_2_3_4.php

Síndrome do Trauma Religioso – STR: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2013/04/fundamentalismo-religioso-e-causa-de-graves-transtornos-mentais.html

Entrevista sobre o STR com a doutora Marlene Winell: http://www.extraclasse.org.br/edicoes/2013/10/fundamentalismo-gera-trauma-religioso/

O diagnóstico diferencial entre experiências espirituais e transtornos mentais de conteúdo religioso:

http://www.hcnet.usp.br/ipq/revista/vol36/n2/75.htm

http://www.abhr.org.br/plura/ojs/index.php/anais/article/viewFile/556/405

Varas especializadas em crimes praticados contra a criança e o adolescente: Possibilidades e limites da ação na defesa de direitos:

http://www.mpce.mp.br/esmp/publicacoes/ed12010/artigos/7VarasEspecializadas.pdf

Lei Número 9455 – Crimes de tortura e providências:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9455.htm

Considerações sobre a questão da sobreposição de direitos dos pais e das crianças:

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1245940

Deus e a evolução

Por JacquelineKDEUS E A EVOLUÇÃOIMAGEMS

Preste bem atenção, pois vou explicar a evolução em trinta segundos e não vou mais tocar neste assunto:

Darwin não disse que Deus não existe.

O que ele disse foi que as espécies existentes hoje (nos dias dele, pois já há espécies novas, sabia disto?) eram do jeito que eram por que evoluíram a partir de espécies anteriores, cujas características especiais herdaram, o que lhes permitiu continuar repassando-as pela procriação.

A evolução não se deu num salto gigantesco entre a lagartixa e o jacaré, ou entre o Tiranossauros Rex e a lagartixa, não foi assim.

Esta evolução se deu por meio de pequenas ou grandes mutações genéticas que, quando facilitavam a sobrevivência de um espécime dando-lhe tempo para procriar, era repassada aos seus descendentes.

Em caso contrário, significava sua morte mais rápida, antes que procriasse e assim a mutação restringia-se a poucos indivíduos que logo pereciam.

É a tão falada seleção natural, que nada mais é do que a ideia de que um indivíduo de uma espécie tem mais chances de sobreviver se possuir, digamos, pernas mais longas que o permitam correr mais rápido do que o seu predador natural.

Nós, seres humanos, praticamos a seleção artificial, baseados no mesmo princípio evolucionista: cruzamos nossos animais de estimação ou de criação para que suas características mais desejáveis sejam repassadas à sua prole.

Assim surgiram as características do seu bichon frisé ou do seu chihuahua, também as do gado leiteiro mais produtivo ou da ovelha que dá mais lã e de melhor qualidade: mutações genéticas preservadas por meio da sobrevivência dos indivíduos e a sua procriação.

Antes dos biólogos e dos criadores de gado primitivos, com seus lobos domesticados que cruzavam para desenvolver certas características tais como cães de pastoreio ou de guarda, gado de corte ou leiteiro as mutações genéticas aleatórias que ainda hoje acontecem, a luta pela sobrevivência, o ambiente hostil e a seleção natural fizeram todo o trabalho.

Nada de muito complicado nem aterrorizante.

Quando se fala em mutações, todo mundo lembra logo dos X-MEN, não é?

Ou dos filmes de terror trash dos anos 80.

Pensa-se que mutações são sempre sinônimos de doenças, desajustes, mutilações ou deformidades, mas nem sempre, meu amigo, nem sempre.

Por que alguns animais sobrevivem nos ambientes selvagens e outros não?

O que os torna diferentes ao ponto de uns conseguirem procriar e outros morrerem sem ter a mesma chance?

O que faz um lobo ou um leão ou um cervo ser o líder do seu bando e ter ao seu dispor todas as fêmeas?

Não são membros iguais de uma mesma espécie?

O que os diferencia?

Mutações.

Sejam de ordem física ou comportamental e de inteligência.

Seja por que um é mais rápido, ou mais forte, ou mais inteligente, ou possui visão mais aguda ou anda sobre dois pés e tem o cérebro mais desenvolvido, o que lhe permite criar armadilhas, ferramentas e armas para caçar seu alimento.

A evolução, junto à seleção natural, possibilitou que os seres humanos vencessem a luta pela sobrevivência em detrimento de outros primatas e hominídeos seus contemporâneos, como o homem de Neanderthal.

E por que ainda hoje existem macacos?

Por que o ser humano não evoluiu do macaco, meu querido, este é um erro primário e grosseiro perpetuado pelas pessoas a quem interessa que os religiosos não aceitem a evolução. Seres humanos e macacos atuais evoluíram a partir de um ancestral primata comum.

Mas, atenção: um, no sentido de um tipo de, e não de apenas um indivíduo ancestral comum. Este tipo de primata ancestral tinha certas características facilitadoras da sobrevivência e, por meio de cruzamentos com outros primatas, as espécies foram se diferenciando ao ponto de hoje ser impossível um mico leão dourado cruzar com um gorila.

Ou de um homem engravidar uma orangotango.

A Biologia prova que somos da classe dos mamíferos, e da ordem dos primatas. Mamíferos são animais vertebrados de temperatura constante, ou sangue quente, com glândulas mamárias, pelos no corpo e respiração pulmonar, sendo que existem aproximadamente 5.416 espécies, todas elas com essas mesmas características.

Primatas são mamíferos que possuem um sistema de visão binocular desenvolvido com dois olhos dispostos lateralmente, um cérebro mais desenvolvido em relação às outras ordens e grande em comparação ao corpo, face de tamanho pequeno em proporção ao corpo, capacidade para ficar e/ou se locomover de pé, 5 dedos nos pés e nas mãos, narinas posicionadas para frente. Esta ordem engloba cerca de 180 espécies bastante diferentes entre si, mas que compartilham estas características gerais.

Você ‘crê’ na Biologia?

Nas vacinas?

Nos remédios que toma baseados no conhecimento do funcionamento do seu corpo e em como suas células reagem a determinado componente químico?

Na existência dos micróbios, na relação entre doença e nutrição, na fertilização in vitro, na clonagem de animais e nos programas ecológicos de desenvolvimento sustentável?

Pois então, deixe de ser cabeça-dura!

É desta Ciência que estamos falando e não daqueles filminhos de ficção científica!

De acordo com a Biologia, os primatas são os mamíferos que compõe a ordem Primates, onde estão incluídos os micos, macacos, gorilas, chimpanzés, orangotangos, lêmures, os babuínos, os seres humanos e outros hominídeos.

Os registros fósseis comprovam a existência de outros primatas que foram extintos, e a Genética comprova que temos nada menos que 94% dos nossos genes idênticos aos dos chimpanzés.

Com os cães a coincidência é menor, mas não menos expressiva: 90% dos nossos genes são idênticos.

Isso não quer dizer que descendemos dos cães, veja bem, mas que a universalidade do código genético comprova que somos todos interligados, seres humanos e animais, de uma forma irrefutável, tanto que as pesquisas para o desenvolvimento de novos remédios se baseia em animais cujas células reagem de forma semelhante às do ser humano, entre eles, como se sabe, os ratinhos e os porcos.

E o que Deus tem a ver com isso?

Nada.

Ou tudo.

Depende de como você criou o seu Deus na sua cabeça.

Uma coisa é certa, a historinha do Gênesis que lhe contaram quando era criança não é verdade.

Escravos de Deus

escarvos de deusPor JacquelineK

Não é novidade nem para ateus nem para cristãos, nem para mais ninguém: Deus não condena a escravidão em nenhum momento; muito pelo contrário, com a maior naturalidade do mundo dita suas regras para senhores e escravos, sem nunca chegar a se horrorizar com a aberração que é um ser humano possuir outro (ambos por ele criados, certo?), jamais qualificando-a como pecado.

Há os teólogos que afirmam esperançosamente que tais regras “amenizavam” o tratamento dado aos escravos, há os que dizem que “eram outros tempos e precisa-se levar em conta o contexto” e há os que simplesmente fingem que “Deus age por caminhos misteriosos”, quando está explicitamente exposto na Bíblia. Não, não há mistério algum nessa questão. E não vou citar versículos. LEIAM A BÍBLIA!

E quanto a Cristo? Tampouco condena a escravidão, nem antes nem depois de ser solicitado a curar o servo de um centurião em Cafarnaum. Perdeu uma ótima oportunidade de ficar calado ao exaltar a fé do mesmo e conceder-lhe o milagre da cura de seu escravo; ou seja: podendo ensinar-lhe que todos os seres humanos são igualmente filhos de Deus e que a escravidão é algo indigno e terrível, optou por premiar a fé do escravista com seus poderes!

Quanta benevolência e amor ao próximo, não? Próximo, aqui, leia-se o centurião, não o escravo; pois, tanto para Deus Pai como para Jesus, há próximos mais próximos que outros: o centurião merece ser salvo de seu prejuízo financeiro da perda de um bem (outro ser humano) pois crê em Jesus. O escravo? Merece continuar escravo, ora essa! Nenhum amor ao próximo para ele.

Sem falar em Paulo (o grande organizador do Cristianismo, a pedido de Jesus), que veio em suas epístolas com aquela odiosa orientação aos escravos para que obedecessem aos seus senhores… por temor ao Senhor! “Temam a Deus, escravos, por isso SIRVAM AOS SEUS SENHORES!”. O que equivale a dizer que Deus os castigaria caso fossem escravos desobedientes…

Lindo, não é mesmo…? Perfeitamente condizente com o pensamento e o status quo da época, dirão os defensores da perfeição de Deus e da culpa dos homens pecadores que deturparam a Palavra Divina.

O problema de se levar em conta o contexto histórico em que a Bíblia foi escrita e assim interpretá-la de forma mais politicamente correta (e os religiosos “se esquecem” convenientemente disso) é que a Bíblia é, alegadamente, a Palavra de Deus. Deus é imutável, certo? Criador de tudo… Onisciente do passado, do presente e do futuro, jamais limitado pelos contextos históricos, sociais, econômicos e o que seja!

E mais desabonador que isso: o próprio Deus é quem permite e dá o aval para tais contextos em que a escravidão é vista como natural.

Deus se posiciona sobre os juros, sobre a alimentação, sobre as doenças, sobre os rituais, sobre o adultério, sobre o roubo e o dano à propriedade privada, sobre as roupas adequadas, e até sobre o comportamento sexual adequado entre dois adultos!

Qualifica como pecado mortal uma infinidade de miudezas, comportamentos, pensamentos, crenças, práticas e… pasmem! TODAS ELAS estão devidamente DENTRO DO CONTEXTO HISTÓRICO DA ÉPOCA.

Mas, então, por que, no que tange ao apoio divino à escravidão, Deus simplesmente se deixa limitar pelo tal contexto?! Não faz sentido, não é coerente, não é justo nem divino.

Nunca, jamais, em tempo algum, um Deus poderia ter permitido a escravidão, tê-la regido, avalizado, premiado e ainda assim contar com o amor irrestrito dos seres humanos, escondendo-se sob o “contexto”, o “mistério divino”, a “interpretação falha do ser humano”. Nunca.

Assim como Deus não condena o estupro, a pedofilia, as desigualdades sociais, a dominação de um povo pelo outro (“dai a César o que é de César” – disse Jesus, e ainda há os que o têm na conta de um revolucionário social! Humpf!), Deus também se abstém de ser um Deus de todos, um Deus de toda a humanidade, escolhendo a princípio um só povo e ordenando a matança dos demais; depois, descaradamente envia seu filho para ensinar que “Deus amou ao mundo de tal maneira que deu seu Filho Unigênito para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”; e, para completar o carismo de pau, dá aos apóstolos e seguidores de seu filho a missão de anunciar a Boa Nova: Cristo ressuscitou! Creia ou morra!

É uma “Boa Nova” ameaçadora, autoritária e claramente cruel.

E ainda continua pregando que escravos devem permanecer escravos…

Que Boa Nova é essa em que injustiças e crimes continuam a ser defendidas e ensinadas pelos ensinamentos bíblicos, tanto no Velho quanto no Novo Testamento, em que não há menção alguma de condenação eterna para os escravistas, homofóbicos, estupradores, pedófilos, racistas?

É uma “Boa Nova” que mantém o status quo, que não desfaz os erros e crimes humanos das elites nem dos dominados, não desfaz os equívocos do malfadado contexto nem liberta os oprimidos desse contexto. E isso permite que líderes religiosos e seguidores apoiem-se nela para manter os escravos calados, submissos e odebientes e os criminosos, livres, salvos e respaldados pela Palavra de Deus, sim, senhor.

E quanto à Igreja Católica? O Papa João Paulo II pediu desculpas pelos crimes e pela cumplicidade da ICAR aos sistemas escravistas, pediu desculpas pelos escravos que a ICAR possuiu, torturou e matou.

Bem… Não realmente; ele pediu desculpas “pelos erros dos filhos da Igreja Católica que se afastaram do espírito de Cristo e seu Evangelho”. Justificou-se com a velha história do contexto histórico e do pecado dos homens, como se a aprovação da escravidão não viesse diretamente do seu Deus.

Como se a Bíblia não permitisse-a, como se a interpretação da Bíblia tivesse sido equivocada e “não, não… é claro que nós erramos e que nem Deus, nem a Bíblia, nem Jesus, nem Paulo estavam apoiando a escravidão. Você precisa entender que o mundo era diferente e que os homens são falhos…”

Bem, a resposta é NÃO. Não há o que interpretar de forma benevolente nessa questão; não há contexto que valide um deus condenar o sexo homoafetivo e não condenar a escravidão. Não há nenhuma justificativa, pois lembre-se: TUDO que está escrito na Bíblia foi escrito sob a inspiração divina, logo, não há lugar para erros como esses.

TODAS as religiões abrâmicas estabelecem, através da Bíblia, não só que escravizar outro ser humano não é pecado, nem condenável, nem merece sequer menção desfavorável, como ainda ensinam que escravistas merecem milagres, homofóbicos ganharão o Paraíso, machistas estão certíssimos e estupradores e pedófilos são incentivados, nunca penalizados, desde que não haja perda financeira para os escravistas, o pai da estuprada ou para as religiões (indenizações por danos irreparáveis às vítimas dos padres pedófilos).

Repito: Não citarei versículos. Estamos todos carecas de saber de tudo isso.

A Bíblia é o Livro Sagrado de um deus. Como seguir, conhecer, defender, respeitar e amar um deus cujo livro você não leu? Para não crer no deus bíblico não é necessário nenhum argumento, nenhuma tese de Mestrado nem nenhuma mágoa ou revolta contra este personagem fictício.

Basta ler sua dita Palavra e confrontar as afirmações das religiões e de seus defensores de que tudo de ruim no mundo é falha humana, de que Deus não tem culpa de nada e de que uma coisa é o contexto histórico e outra coisa é o Plano de Deus.

Lendo-se a Bíblia num exercício de lógica, levando a sério como nenhum religioso jamais levou a suposição de que ela é a Palavra de Deus, qualquer um se defronta com a total impossibilidade de existir um deus como aquele lá descrito.

Não há como um deus agir daquela forma, falar daquela forma, promover crimes hediondos como aqueles e omitir-se de ser o que alega ser: um deus todo poderoso, criador de tudo e com um propósito final benevolente de salvação eterna para toda a humanidade.

Leia os links:

Sobre Deus não condenando a escravidão, não classificando-a como pecado, nem sequer orientando para não escravizarmos as pessoas e também sobre Deus ordenando a captura de meninas virgens para servirem de “esposas” para os homens de seu povo:
https://www.bibliaonline.com.br/
Sobre Jesus em Cafarnaum, premiando a fé de um escravista e evitando seu prejuízo financeiro:
http://www.rmesquita.com.br/sete.htm
Sobre Paulo, os escravos e a obediência aos senhores:
http://bibliaportugues.com/1_corinthians/7-22.htm
Sobre o pedido de perdão da ICAR, pelos crimes e erros de seus filhos, e não dela mesma ou do próprio Deus ao se omitir no assunto ou ao citá-lo como algo natural, sem horror algum:
http://www.veritatis.com.br/…/7178-sobre-os-pedidos-de-perd…
Sobre a atuação da ICAR referente à escravidão colonial:
http://arquivo.geledes.org.br/…/1807-1452-55-quando-portuga…
Sobre interesses econômicos disfarçados de religião, no que tange à aprovação da ICAR à escravidão no Período Colonial:
http://www.revistadehistoria.com.br/secao/…/o-injustificavel
Sobre as ordens religiosas e a escravidão negra no Brasil e as justificativas para a escravidão:
http://www.cerescaico.ufrn.br/…/st_t…/pdf_15/robson_st15.pdf
Sobre as Bulas papais que autorizam a escravidão e o assassinato dos infiéis:
http://pt.scribd.com/doc/149717554/bULAS-PAPAIS#scribd

O que é necessário para se ser ateu?

Por Jacqueline K

Ateus não precisam ser cientistas, não precisam ser de esquerda, não precisam ser feministas, defensores dos direitos dos animais, doadores de órgãos, sangue ou ainda ser humanistas.

Não, realmente, ateus não precisam ser nada disso.

A palavra “precisar” indicaria pré-requisitos para se ser ateu e determinaria o ateísmo como algo mais do que a simples não crença em um ou mais deuses.

Que é o que o ateísmo é, todos estamos carecas de saber, não é mesmo?

Então, por que é necessário tantas vezes que repitamos o conceito de ateísmo, mesmo para ateus e não só para religiosos?

Por que tantos ateus e mais ainda religiosos teimam em expandir o conceito da não crença em um ou mais deuses? E determinar ou apontar o que seria um “ateu de verdade”?

O que confunde muita gente, na minha opinião, é que muitos dos ateus são, por opção, cientistas, de esquerda, feministas, defensores dos direitos dos animais e humanistas igualitários.

(Não nos esqueçamos de que muitos religiosos também são tudo isso, mas vamos lá, sigamos sobre os ateus).

A pergunta do primeiro parágrafo já foi respondida, ok.

Deixem-me formular algumas outras que talvez nos ajudem a entender o porquê do conceito de ateísmo ser confundido ou expandido assim:

Por que alguém que não crê que um livro é a palavra de uma divindade seguiria o que este livro diz, mesmo que seja algo anti-ético, imoral e até desumano? Muito mais coerente seria não segui-lo, não é?

Por que esse descrente desse livro e de toda a mitologia ao redor dele defenderia o modo de pensar expresso ali, ainda que seja um modo de pensar da Idade do Bronze, de um tempo histórico anterior aos grandes avanços das ciências, moldado por mentes desaparelhadas para compreender o corpo e o cérebro humanos e seus funcionamentos?

Muito mais produtivo seria questionar esse modo de pensar, diante de uma fonte dessas, concordam?

Por que uma pessoa que não acredita que existe um ser superpoderoso e invisível em algum lugar a observando e julgando todas as suas ações e pensamentos do ponto de vista de uma sociedade ainda em formação, viveria e pensaria de acordo com as regras risíveis, os conceitos pseudo-científicos e os preconceitos terríveis desse mesmo ser invisível, em detrimento do uso de seu poder de raciocínio?

Não seria, digam-me vocês, muito mais racional permanecer cético também sobre a validade dessas regras e preconceitos? E não só sobre a existência de quem os teria formulado?

Chega de perguntas, quero tentar promover aqui algumas reflexões sobre todos os preconceitos que perpetuamos em nós (ateus) e ao nosso redor, os quais muitas vezes defendemos com uma certeza e um afã dignos de um fanático:

Que tal essa: Existem ateus que, uma vez libertos da crença no Deus judaico-cristão, desenvolvem um pensamento contrário aos ditames desse deus, já que vivem em uma sociedade cristã e percebem, através do uso de sua razão, que não faz sentido algum seguir as ideias inverídicas de um personagem como aquele.

E mais uma: A nossa sociedade, por ser de maioria cristã, está indissoluvelmente atrelada à ideologia imoral, racista, machista, homofóbica e autoritária da Bíblia em todos os nossos vários segmentos sociais, como famílias, escolas, ambientes de trabalho, produção cultural, decisões políticas e em tudo mais. Muitos ateus ainda não se libertaram desta influência condicionante e não percebem que trazem em si uma das piores facetas da religião cristã.

Ou essa aqui: Os tabus sexuais, a homofobia, os preconceitos de etnia, as desigualdades de direitos entre os gêneros, a desconfiança com o saber científico, a desvalorização dos portadores de necessidades especiais e a visão de que os animais existem para servir à espécie humana são ideias defendidas pelo livro sagrado do Cristianismo e fazem parte da bagagem cultural de todo cidadão brasileiro, já que estamos inseridos nessa sociedade contaminada por essas ideias bíblicas.

Muitos de nós percebemos isso e nos tornamos ou tentamos nos tornar pessoas melhores. O que passa pela rejeição do pensamento religioso.

Diante dessas perguntas e dessas reflexões, não há surpresa alguma, para mim, que nós ateus sejamos confundidos com humanistas, dentre outras coisas.

Não é que seja preciso, indispensável, exigido ao ateu ser cientista, de esquerda, feminista, defensor dos direitos dos animais ou humanista, ou outra coisa qualquer. Não, não, não.

É que faz todo o sentido do mundo, na minha sincera e esperançosa opinião, ser ateu e aomesmo tempo despertar para os direitos humanos de igualdade, solidariedade e empatia.

Afinal, se não cremos no deus judaico-cristão (e em nenhum outro), por que faríamos como “Deus” e pensaríamos o mundo, a política, a Ciência, o sexo, o aborto, os direitos humanos, as mulheres e os homens, os heterossexuais, gays, lésbicas, bissexuais, transexuais, travestis e transgêneros, os negros, os índios, as pessoas em geral e os animais, tudo, tudo, tudo sob uma perspectiva sectária, segregacionista, autoritária e imoral? E não sob a perspectiva humanista?

Vocês são ateus e não creem em deuses.

Não creem no Deus Pai, no Deus Filho, ou no Espírito Santo.

Vocês não precisam ser humanistas, meus amores.

Mas eu torço para que vocês se rebelem.

E escolham ser.

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RIR DE UMA IDEIA É FALTA DE RESPEITO AO DEFENSOR DESSA IDEIA?

Por Jacqueline K

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Uma coisa é o respeito aos indivíduos e aos seus direitos instituídos, em uma sociedade. Outra, completamente diferente, é o respeito a uma ideia e aos seus símbolos.

O respeito ao indivíduo inclui, entre outros cuidados, não discriminá-lo ou privá-lo de seus direitos civis, políticos e sociais em consequência de suas características físicas e sociais, ou de suas concepções religiosas, filosóficas ou políticas.

Seja qual for a ideia religiosa, filosófica ou política de um ser humano ou de um grupo de seres humanos, esta ideia não priva do direito ao respeito.

O respeito aos indivíduos não abrange respeitar as suas ideias, pois, se assim fosse, o diálogo social se veria paralisado, estagnado na concepção de que uma ideia precisa ser respeitada de per si.

O direito, neste caso, restringe-se ao direito dos indivíduos de desenvolverem estas ideias e agirem, dentro da lei, de acordo com elas.

Quando um religioso exige respeito à uma ideia (sua crença) e aos seus símbolos, está mais do que extrapolando o conceito de direito; está, antes que tudo, desrespeitando o direito de outros de não compartilharem desta ideia e de possuírem outras opostas ou divergentes.

Pois, comparativamente, se um comunista exigir respeito ao Comunismo e aos seus símbolos, estará desrespeitando o direito dos capitalistas às suas próprias ideias sobre sistemas econômicos.

Assim também, quando um religioso muçulmano exige o respeito para os seus símbolos sagrados a um cristão ou a um umbandista está, automaticamente, desrespeitando o direito dos cristãos (ou umbandistas) de defenderem suas próprias ideias do que é sagrado ou não.

Pois, como respeitar o sagrado alheio quando não se tem a mesma concepção do que é sagrado?

Se, para uns, o sagrado é uma pedra de cor escura incrustada em uma construção eternamente coberta, para outros o sagrado pode ser uma imagem de um ser humano ensanguentado preso em um instrumento de tortura e morte.

Um indivíduo adepto de qualquer das duas concepções não deve nem pode ser obrigado a considerar sagrado o que o outro considera assim.

Caso todos os religiosos exijam respeito às suas crenças e aos seus símbolos, depreende-se que todos eles estarão invadindo e coibindo o direito de crença religiosa do outro.

Um terceiro indivíduo que não considere nenhum dos dois objetos citados como sagrado não estará desrespeitando o direito dos religiosos, mas estará na mesma posição que cada um dos dois ocupa em relação ao outro: o de negação do sagrado alheio.

Quando a concepção de respeito ao indivíduo e ao direito de crença é estendida ao respeito para a crença em si, torna-se fácil perceber que todos os religiosos “desrespeitam” as crenças alheias, ao negarem seus status de sagrado.

É fato social corriqueiro que, no Brasil e no mundo, religiosos de várias vertentes exigem respeito às suas crenças e seus símbolos sagrados, como a imagem de um rosto de um alegado profeta ou filho unigênito de um deus.

Ao rasgar a bandeira com a foice e o martelo, ninguém está desrespeitando um comunista e nada ocorrerá em âmbito jurídico, a quem isso fizer, em um país livre.

Rasgar a pintura de um rosto considerado sagrado para muçulmanos ou para cristãos também não faz com que isso se configure desrespeito a um indivíduo de uma dessas crenças.

Quando um religioso se considera ofendido por uma piada com seus símbolos sagrados, não está realmente se sentindo ofendido, está indignado por sua fé não ser encarada pelas outras pessoas com a mesma seriedade com que ele a encara.

Se passa a exigir que seu sentimento de indignação seja respeitado através do respeito aos seus símbolos sagrados, está na verdade impedindo o outro de se expressar livremente.

Está sendo autoritário.

Além disso, hipócrita, uma vez que ele próprio, o religioso, não respeita a ideia alheia do sagrado, pois nem um muçulmano considera a imagem de Jesus sagrada, nem um cristão considera a imagem de Maomé assim.

Ateus, ocasionalmente, demonstram que não respeitam o sagrado muçulmano ou o sagrado cristão ou qualquer concepção de sagrado.

E é por isso que vemos tantos cristãos exigirem que um ateu não faça piadas com Jesus Cristo ou com Deus Pai: “Se não acredita em Deus, respeite.” Leia-se: Se não acredita nele, aja como se acreditasse, considere sagrado e não ria dele.

Ou seja, não só um ateu tem direito a rir do sagrado alheio, como também isso não significa que não respeite o direito dos indivíduos de crerem no que quiserem.

Se um religioso rir da ideia do Ateísmo, não estará desrespeitando os ateus; mas estará, se exigir-nos que não riamos de seu deus.

Quando um ateu exige respeito, está se referindo ao respeito pelo seu direito de ser ateu, sem que isso lhe acarrete nenhuma perda de direitos civis, sociais e políticos.

Os ateus não exigem respeito algum ao ateísmo. É apenas uma ideia.

O respeito que indivíduos ateus exigem não é o respeito a esta ideia nem aos seus símbolos, mas apenas e tão somente o respeito aos ateus e aos seus direitos, que são os mesmos dos direitos dos religiosos.

Um religioso tem todo o direito de negar o sagrado alheio, assim como um ateu tem todo direito de negar todos os sagrados.

Os religiosos podem rir de qualquer símbolo de ateísmo, assim como os ateus podem rir de qualquer símbolo religioso.

Mas com todo o respeito pelo direito do outro de acreditar na bobagem que quiser, ou não acreditar em nenhuma e preferir a lógica.

Darwin não disse que Deus não existe.

Olá Galerinha, nesta segunda-feira abrirei espaço para nossa colunista Jacqueline K nos brindar com seu conhecimento, já que no sábado tivemos problemas técnicos e não houve publicação dela.
Está ótimo o texto, aproveitem:


Por Jacqueline K

Preste bem atenção, pois vou explicar a evolução em trinta segundos e não vou mais tocar neste assunto:

Darwin não disse que Deus não existe.

O que ele disse foi que as espécies existentes eram do jeito que eram por que evoluíram a partir de espécies anteriores, cujas características especiais herdaram, o que lhes permitiu continuar repassando-as pela procriação.

A evolução não se deu num salto gigantesco entre a lagartixa e o jacaré, ou entre o Tiranossauros Rex e a lagartixa, não foi assim. Esta evolução se deu por meio de pequenas ou grandes mutações genéticas que, quando facilitavam a sobrevivência de um espécime dando-lhe tempo para procriar, era repassada aos seus descendentes. Em caso contrário, significava sua morte mais rápida, antes que procriasse e assim a mutação restringia-se a poucos indivíduos que logo pereciam.

É a tão falada seleção natural, que nada mais é do que a ideia de que um indivíduo de uma espécie tem mais chances de sobreviver se possuir, digamos, pernas mais longas que o permitam correr mais rápido do que o seu predador natural.

Nós, seres humanos, praticamos a seleção artificial, baseados no mesmo princípio evolucionista: cruzamos nossos animais de estimação ou de criação para que suas características mais desejáveis sejam repassadas à sua prole. Assim surgiram as características do seu bichonfrisé ou do seu chihuahua, também as do gado leiteiro mais produtivo ou da ovelha que dá mais lã e de melhor qualidade: mutações genéticas preservadas por meio da sobrevivência dos indivíduos e a sua procriação.

Antes dos biólogos e dos criadores de gado primitivos, com seus lobos domesticados que cruzavam para desenvolver certas características tais como cães de pastoreio ou de guarda, gado de corte ou leiteiro as mutações genéticas aleatórias que ainda hoje acontecem, a luta pela sobrevivência, o ambiente hostil e a seleção natural fizeram todo o trabalho. Nada de muito complicado nem aterrorizante.

Quando se fala em mutações, todo mundo lembra logo dos X-MEN, não é? Ou dos filmes de terror trash dos anos 80. Pensa-se que mutações são sempre sinônimos de doenças, desajustes, mutilações ou deformidades, mas nem sempre, meu amigo, nem sempre.

Por que alguns animais sobrevivem nos ambientes selvagens e outros não? O que os torna diferentes ao ponto de uns conseguirem procriar e outros morrerem sem ter a mesma chance? O que faz um lobo ou um leão ou um cervo ser o líder do seu bando e ter ao seu dispor todas as fêmeas? Não são membros iguais de uma mesma espécie? O que os diferencia?

Mutações. Sejam de ordem física ou comportamental e de inteligência.

Seja por que um é mais rápido, ou mais forte, ou mais inteligente, ou possui visão mais aguda ou anda sobre dois pés e tem o cérebro mais desenvolvido, o que lhe permite criar armadilhas, ferramentas e armas para caçar seu alimento.

As características do ambiente, as mudanças climáticas e fenômenos naturais impulsionaram a seleção natural, privilegiando determinadas mutações e suprimindo outras, o que ocasionou a diversidade de espécies que temos hoje.

A evolução, junto à seleção natural, possibilitou que os seres humanos vencessem a luta pela sobrevivência em detrimento de outros primatas e hominídeos seus contemporâneos, como o homem de Neanderthal.

E por que ainda hoje existem macacos? Por que o ser humano não evoluiu do macaco, meu querido, este é um erro primário e grosseiro perpetuado pelas pessoas a quem interessa que os religiosos não aceitem a evolução. Seres humanos e macacos atuais evoluíram a partir de um ancestral primata comum.

Mas, atenção: um, no sentido de um tipo de, e não de apenas um indivíduo ancestral comum. Este tipo de primata ancestral tinha certas características facilitadoras da sobrevivência e, por meio de cruzamentos com outros primatas, as espécies foram se diferenciando ao ponto de hoje ser impossível um mico leão dourado cruzar com um gorila. Ou de um homem engravidar uma orangotango.

A Biologia prova que somos da classe dos mamíferos, e da ordem dos primatas. Mamíferos são animais vertebrados de temperatura constante, ou sangue quente, com glândulas mamárias, pelos no corpo e respiração pulmonar, sendo que existem aproximadamente 5.416 espécies, todas elas com essas mesmas características.

Primatas são mamíferos que possuem um sistema de visão binocular desenvolvido com dois olhos dispostos lateralmente, um cérebro mais desenvolvido em relação às outras ordens e grande em comparação ao corpo, face de tamanho pequeno em proporção ao corpo, capacidade para ficar e/ou se locomover de pé, 5 dedos nos pés e nas mãos, narinas posicionadas para frente. Esta ordem engloba cerca de 180 espécies bastante diferentes entre si, mas que compartilham estas características gerais.

Você ‘crê’ na Biologia?

Nas vacinas?

Nos remédios que toma baseados no conhecimento do funcionamento do seu corpo e em como suas células reagem a determinado componente químico?

Na existência dos micróbios, na relação entre doença e nutrição, na fertilização in vitro, na clonagem de animais e nos programas ecológicos de desenvolvimento sustentável?

Pois então, deixe de ser cabeça-dura!

É desta Ciência que estamos falando e não daqueles filminhos de ficção científica!

De acordo com a Biologia, os primatas são os mamíferos que compõe a ordem Primates, onde estão incluídos os micos, macacos, gorilas, chimpanzés, orangotangos, lêmures, os babuínos, os seres humanos e outros hominídeos.

Os registros fósseis comprovam a existência de outros primatas que foram extintos, e a Genética comprova que temos nada menos que 94% dos nossos genes idênticos aos dos chimpanzés.

Com os cães a coincidência é menor, mas não menos expressiva: 90% dos nossos genes são idênticos.

Isso não quer dizer que descendemos dos cães – veja bem – mas que a universalidade do código genético comprova que somos todos interligados, seres humanos e animais, de uma forma irrefutável, tanto que as pesquisas para o desenvolvimento de novos remédios se baseia em animais cujas células reagem de forma semelhante às do ser humano, entre eles, como se sabe, os ratinhos e os porcos.

E o que Deus tem a ver com isso?

Nada.

Ou tudo.

Depende de como você criou o seu Deus na sua cabeça.

Uma coisa é certa, a historinha do Gênesis que lhe contaram quando era criança não é verdade.


 

Isso é tudo pessoal! (rs)
Vou (Welbert) deixar uma fotinha par alegrar o dia de vocês:

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Professores X Religião x Ética Profissional

Por Jacqueline K

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Ser professora de crianças de cinco a catorze anos envolve uma gama tão extensa de saberes, comportamentos, sentimentos e decisões que não dá para resumir aqui!

É também um desafio diário, recheado de situações de conflitos morais, profissionais, éticos e existenciais.

Ser professora de crianças e ser ateia exacerba essas experiências e essas situações de conflitos para além do descritível. Mas vou tentar:

Quando os objetivos laicos que deveriam nortear a educação pública são desvirtuados pelas autoridades, colegas de profissão e pais de alunos, pela negação deste desrespeito ao laicismo estatal e pelo policiamento ideológico dentro da escola pública, o conflito ético é inevitável e, quase sempre, não declarado nem sequer debatido.

Dá-se por vias não oficiais, por persuasão, argumentação da força da maioria e do costume de que sempre se rezou antes das aulas, sempre se vivenciou o Natal, a Páscoa, as Festas Juninas, o Plantio do Milho de São José… e pelo poderoso argumento final: “Os pais não vão gostar”.

De quê? Das mudanças de abordagem dos conteúdos, das aulas de Ciências negando a Criação Divina, das aulas de História falando em hominídeos peludos e criadores de mitos, das aulas de Geografia mostrando a evolução geológica e negando o Dilúvio e aquela coisa dos seis dias e dos seis mil anos…

É um conflito que se dá fortemente também pelas vias oficiais, na triste e irrefutável verdade de que a Secretaria de Educação elabora (em conjunto com os educadores) a matriz curricular estadual e municipal…

Determina o calendário escolar, agenda e premia as apresentações dos alunos nas solenidades cristãs lá na Feira de Conhecimentos, no Congresso Tecnológico da Educação, nas Capacitações…

A religião está presente nas escolas públicas, não só nas aulas de religião, como muitos parecem pensar, sempre que se fala no assunto!

A escola pública está imersa no Cristianismo ainda pela bagagem religiosa cristã das autoridades da educação, dos professores e professoras, da gestão e do corpo de funcionários da instituição.

A religião dos profissionais de educação atua como uma força constante, sem adversários, persistente e danosa, agindo de forma aceita e incentivada pelas escolas e pelos poderes públicos; atua no cotidiano escolar e é praticada abertamente pelos educadores, sendo uma inimiga da sua função primeira:

Estimular e orientar o comportamento científico, no uso do criticismo, na investigação e na apropriação do saber acumulado pela humanidade em sua História.

É claro que a religião não entra nas escolas apenas pela atuação dos profissionais de educação (muitas vezes inconsciente, acrítica e desapercebida como um abuso), mas chega à sala de aula através dos próprios alunos, multiplicadores do pensamento religioso de sua família, da sua comunidade e de sua fé.

Percebe-se que, em questões culturais, a tendência é a tácita imposição das manifestações e normatizações da maioria, já que as outras, minoritárias, são sufocadas, discriminadas e desestimuladas e não se veem representadas no trato social, exceto em seus espaços específicos.

Que Secretaria de Educação incentivaria e normatizaria manifestações escolares de cunho umbandista, candomblecista ou kardecista nas escolas públicas?

Seria risco de uma rebelião cristã de professores, gestores e pais de alunos… Sem falar na mídia. O Cristianismo Católico é a cultura religiosa predominante no Brasil. O Cristianismo Evangélico cresce a olhos vistos. É lógico, claro e visível que o Cristianismo é a religião que mais influencia educadores, alunos e pais de alunos.

Dessa forma, pode-se dizer que o Cristianismo é a religião mais danosa ao estímulo ao saber científico, função primordial da educação sistemática.

E não me venham dizer que a escola pública é apenas um instrumento governamental de manipulação das populações mais carentes e desprivilegiadas… Isso é um desvirtuamento da função da escola pública, não sua função primeira e eu me recuso a aceitar que será sempre assim.

O Cristianismo segue contaminando as leis da educação, conteúdos escolares e padrões de mentalidade e comportamento exercidos e alimentados nas escolas. Essa contaminação se dá através do tratamento cotidiano nos espaços escolar e sociais e também nos meios de comunicação de massa, nas ações ou omissões governamentais.

Estamos cercados pelo Cristianismo na própria atuação daquela bagagem cultural e da normatização de um modo cristão de pensar e ver o mundo e as pessoas, seja de forma consuetudinária estabelecida pela tradição, seja pela força que esta bagagem exerce nas autoridades públicas, nos educadores e no alunado e famílias.

 

Para terminar, algumas frases comuns sobre a profissão de professor:

 

Magistério é “sacerdócio”. Professores são heróis. Professores deveriam ganhar mais. Sem professores não haveria médicos, advogados, engenheiros…

Professores são formadores de opinião. Professores influenciam os alunos para toda a vida. Professores são exemplos.

 

Mas ouso acrescentar algumas frases minhas: Professores deveriam ser, antes de tudo, proibidos de trazer sua bagagem religiosa para a escola.

Deveriam ser treinados para não fazê-lo.

Professores deveriam ser profissionais livres para desenvolverem seu trabalho e sua função de orientadores e facilitadores da aprendizagem, sem a influência anti ética e alienante da religião no exercício de sua profissão. Que aceitem essa influência em sua vida, não é culpa dos alunos.

Os alunos não deveriam ser doutrinados no Cristianismo e nem em nenhuma outra religião dentro da escola pública; não deveriam ter cerceados, em sala de aula, seus questionamentos sobre o que ouvem na igreja e no culto; não deveriam ser repreendidos em seus comportamentos com um “Deus não gosta disso!”; não deveriam estar sujeitos a professores que não sabem e não querem separar seu trabalho de sua religião.

 

MORALIDADE RELIGIOSA, LAVAGEM CEREBRAL E CONDICIONAMENTO PSICOLÓGICO

Por Jacqueline K 10850076_426197407529115_569387132419807785_n

Quando o Cristianismo diz que Cristo morreu por você, o que ele está dizendo é que o Cristianismo é uma religião de sacrifício humano: alguém precisava morrer pelos seus supostos erros e esse alguém merece, por isso, obediência.

A moral cristã é baseada na ideia de que o ser humano é sujo, pervertido, tendente ao mal e que, por isso, o próprio Deus sacrificou o seu filho para nos libertar desse mal.

Quem decide os valores morais que serão incutidos nas crianças desde que começam a pensar?

A resposta mais óbvia é a família. Porém, a família não é uma entidade isolada, ela é composta por pessoas que vivem em uma sociedade e esta sociedade possui seus valores que advoga das mais diferentes formas. A religião dos pais é uma das ditadoras da “moral e dos bons costumes” e a mais presente na nossa sociedade, uma vez que somos majoritariamente cristãos.

Desde cedo, toda a nossa vida está permeada por conceitos cristãos, ainda que alguns desses pais não sejam cristãos lá muito praticantes; o Cristianismo, desde a invasão portuguesa no Brasil, impôs-se como norma moral vigente e única aceitável.

A moral cristã ditada na Bíblia não é constituída apenas dos bons conselhos e ensinamentos de Cristo.

Quando o Cristianismo diz que o sangue e o corpo de Cristo devem ser ingeridos, seja na transubstanciação, seja de forma simbólica, o Cristianismo está se assumindo uma religião de canibalismo. Está propagando a ideia dos nossos antepassados das cavernas que acreditavam que as qualidades do morto seriam absorvidas pelo consumo de seu corpo; está propagando a ideia de que o sangue derramado É uma prova de amor. Ou seja: o Cristianismo possui basicamente as mesmas raízes da mitologia pré-histórica; o sangue derramado acalma os deuses; consumir a carne de alguém é consumir suas qualidades (ainda que simbolicamente).

Ninguém precisou dizer a você para não devorar seu amiguinho, como disse José Ângelo Gaiarsa. Não há exemplos na sua infância de pessoas devorando pessoas sem que isto não seja mostrado como um exemplo de selvageria primitiva, sátira, ou crime.

O canibalismo não é aceito na nossa sociedade e isto está claro na cultura em que estamos inseridos, desde desenhos animados tirando sarro com tribos antropófagas a filmes de terror de zumbis. Além do mais, canibalismo, mesmo que consentido, É crime.

Está mais do que claro.

A moral cristã advoga conceitos contra a natureza humana, contra a liberdade humana, contra o direito que cada um de nós tem de viver sua vida como bem lhe apetece e, mais importante, viver sua vida sendo fiel a si mesmo, inclusive ditando os papeis sociais determinados pelo gênero: homem com mulher e ponto final.

Tudo direcionando sua mente para entender que seu destino é relacionar-se sexualmente com pessoas do gênero oposto. Desta forma, quando alguém é incutido desde cedo com determinados valores religiosos a tendência é aceitar tais valores como naturais, verdadeiros e os únicos corretos, por que “mamãe e papai e a minha religião disseram que era assim.”

Quanto à homossexualidade, mesmo que seus pais não sejam lá muito seguidores do Cristianismo, não foi preciso que alguém lhe dissesse que você não deveria se interessar sexualmente por alguém do seu gênero.

Muito antes da puberdade, você já sabia que se demonstrasse seus interesses românticos em alguém do mesmo gênero isso não seria visto com bons olhos. Não houve necessariamente alguém para lhe dizer, na pré-escola, que homens namoram mulheres e não mulheres namoram mulheres ou homens namoram homens. De novo, temos a defesa desta ideia, de modo geral, pela família, que deixou claro que uma família de verdade é composta por papai e mamãe.

A divulgação desta ideia cristã também vem através da mídia, sem que seja realmente dita em voz alta: todos os personagens masculinos querem namorar a mocinha. Toda mocinha quer namorar o herói. As piadinhas envolvendo gays, a separação das tarefas domésticas e das brincadeiras em “coisa de menina” e “coisa de menino”, as competições escolares de menino contra menina, as orientações familiares sobre com quem você deveria brincar…

Alguém pode questionar o porquê de eu ter colocado o canibalismo, a homossexualidade e a religião num mesmo texto sobre lavagem cerebral e condicionamento psicológico.

A resposta é que estou tentando provar que as ideias que você traz, de forma automática e sem pensar, fazem parte de um conjunto de valores e ideologias consuetudinários de determinados grupos sociais e lhe são repassados sem que você perceba, pela sociedade em que você vive.

Sendo, a sociedade em que você vive, normatizada pelo modo de pensar cristão, automaticamente suas ideias estarão imbuídas da moral cristã, mesmo que você, a rigor, não tenha sido doutrinado nesta religião.

Acho isto tão óbvio que quase me envergonho de considerar necessário escrever sobre.

Mas considero sim, pois a quantidade de pessoas agindo de acordo com valores cristãos preconceituosos, sem perceber e sem admitir sequer questioná-los, mesmo sendo ateus, é absurdamente enorme, e as consequências destas ações baseadas em conceitos errôneos são desastrosas para a vida em sociedade.

Não, não estou defendendo o canibalismo, embora no meu livro preferido (Um Estranho numa Terra Estranha) ele faça todo o sentido e seja até singelo e poético.

Estou defendendo que as opiniões que você tem sobre as outras pessoas podem e devem ser revistas sempre, pois refletem as ideias de um grupo específico: a religião cristã. Ideias precisam ser constantemente postas à prova, justamente para que se investigue sua origem e assim, o indivíduo possa praticar o criticismo e libertar-se da lavagem cerebral e do condicionamento psicológico a que todos nós somos expostos.

As muitas formas de lavagem cerebral e condicionamento psicológico são reais e estão a pleno vapor para moldar seu pensamento, desde que você começa a usá-lo.

Quando alguém antes igualitário, justo e livre de preconceitos como uma criança passa a enxergar o próximo a partir de ideias preconceituosas por força da formação familiar, religiosa e midiática, dá-se o que eu considero uma lavagem cerebral.

Para uma menininha suficientemente pequena, digamos, antes dos cinco anos de idade, não há diferenças negativas entre ela e o amiguinho que gosta de brincar de boneca e de usar a sainha da irmã. Nem entre ela e aquela outra criança de cor de pele diferente da sua, de olhinhos puxados e língua de fora ou numa cadeira de rodas. Para as crianças, todos os seres humanos são verdadeiramente iguais.

As diferenças supostamente negativas ou positivas serão enfiadas na cabecinha delas pela família e pela sociedade, e o resultado é alguém que considera outras pessoas inferiores em alguma instância, a partir de apenas um ou dois aspectos.

O condicionamento psicológico a que estamos sujeitos desde os nossos primeiros anos de idade tem força e, para ser quebrado, necessita de um despertar.

Um abrir de olhos.

A necessidade de se saber dono de suas próprias opiniões e não um reprodutor de frases feitas, conceitos superficiais e comportamentos nocivos a nós mesmos e aos outros seres humanos com quem convivemos. Quando questionamos e investigamos todas as verdades familiares, políticas, religiosas e morais em que acreditamos, passamos a investigar e a formar nossas próprias opiniões, baseadas na informação.

As nossas ideias anteriores podem ruir durante o processo. Mas também podem ser reforçadas.

Pensar sobre o que cremos e quem somos não é uma ameaça, é uma forma de sermos donos de nosso destino e de nossas ações.

Da próxima vez em que você se deparar com um homossexual, tente enxergá-lo além deste aspecto. Não se restrinja à sexualidade, afinal, esta é apenas uma das facetas daquele ser humano.

Quando você se deparar com uma mulher empoderada, independente sexualmente e dona de seu próprio corpo, tente despir-se de toda a moralidade cristã sobre comportamento sexual, e a enxergue como ela é: um ser humano igual a você em direitos.

Assim também da próxima vez em que você conhecer um ateu. Não se prenda à questão da crença. Um ateu, tendo se libertado dos preconceitos do deus bíblico, possuirá sua própria moralidade, não ditada por um livro misógino, homofóbico, sexista e cruel, mas antes pela lógica e pela ética humana da igualdade.

Nenhum ser humano é unicamente uma de suas características, ao contrário, somos todos compostos de múltiplos aspectos, valores, escrúpulos, posicionamentos; tudo isso merece ser revisto o tempo todo, em busca de uma melhor convivência social, onde todos os seres humanos são de fato iguais, sem que um deus lhes diga quem é e quem não é bom, justo, merecedor de prêmios ou castigos.

Temos as leis para isso, e, em caso de falha destas, temos mecanismos para mudá-las e adequá-las à ética dos direitos humanos.

Nenhum ser capaz de raciocínio lógico como o ser humano deveria permitir que o condicionamento psicológico e a lavagem cerebral determinem quem ele é e como se relaciona com o mundo.