É possível ser racional e acreditar em Deus?

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Por Lucas Belarmino

Há pouco tempo lançou no Brasil o livro “Racional: A visão da descrença” e acredito ter sido a pergunta mais freqüente – É possível acreditar em Deus e ser racional?

Para este tema será preciso filosofia e claro, razão. Antes, vou definir os conceitos mais importantes:

RAZÃO:

Razão, no sentido geral, é a faculdade de conhecimento intelectual próprio do ser humano, é um entendimento, em oposição à emoção.

(fonte: http://www.significados.com.br/razao/)

EMOÇÃO:

As emoções são reações psicofisiológicas, que representam modos eficazes de adaptação face às mudanças ambientais, contextuais e/ou situacionais.

(fonte: http://conceito.de/emocao#ixzz3VLqqhaMO

Bem, nestas definições já fica claro que RAZÃO e EMOÇÃO são antônimos. Um não é igual o outro e tampouco se complementam.

Mas até agora o que isto tem relação com Deus?

Trabalharei meus argumentos fazendo uso de uma BARRA GRADUAL que criei:

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Vejam que Razão e Emoção encontram-se no meio e somente nos extremos temos outras duas definições: Racionalismo e Sentimentalismo. Rapidamente vamos analisá-los:

RACIONALISMO:

Que se concebe pela razão – que faz uso demasiado da razão/ lógica.

(Fonte: http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=racional)

SENTIMENTALISMO:

Excesso de sensibilidade, emoção exagerada, por algum motivo de admiração ou sem motivo aparente.

(Fonte: http://www.dicio.com.br/sentimentalismo/)

Portanto, até agora se entende que:

Razão e emoção são emoções distintas, mas que TODOS somos dotados. A manifestação da razão sobrepondo a emoção ou da emoção sobrepondo a razão depende da ocasião. Se age-se com emoção deixa-se a razão de lado, mesmo que com razão fosse agir de maneira igual, vice-versa.

“Tomei aquela atitude sem pensar, agi pela emoção”.

“Tomei aquela atitude pela razão, não com o coração”.

Está claro?

Voltemos a barrinha:

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Todos dispomos de razão e emoção, mas note que aos extremos encontra-se definições distintas e que definem por si só não ações, mas “ISMOS” como sufixo ( do grego –ISTES, para designar o adepto de uma ideologia – modo de vida).

“Aquele poeta escreve belas poesias de amor. Um sentimentalista nato.” (refere-se à personalidade do poeta e não à emoção do poema)

O sentimentalismo e o racionalismo devem, portanto, serem conceitos arraigados a personalidade de cada Ser humano, já que não são variações, mas traços ideológicos. Sendo assim, posso ser racional, mas ter momentos emotivos, mas NÃO POSSO ser um sentimentalista e ser racionalista. Ademais, posso ser um sentimentalista e por instantes agir com a razão, mas não posso ser ao mesmo tempo um racionalista.

Ainda não ficou claro? Veja a imagem abaixo:

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São caminhos distintos FÉ vs Razão, pois define-se com a própria bíblia, em Hebreus, que:
“Fé o firmamento e a prova daquilo que não se pode ver” – O oposto de racionalismo!

Agora por que estou colocando Deus contra a razão e hospedado ao conceito de sentimentalismo?

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O ateísmo encaixa-se no mesmo conceito de racionalismo, pois refere-se a uma ideologia (sufixo –ISMO).

Deus encaixa-se no conceito de sentimentalismo, pois é oriundo da emoção excessiva, ou seja, do sentimentalismo. Deus é o medo de morrer, portanto a vida eterna. O medo de um Mundo sem controle, portanto a benevolência e onipotência. O medo de sentir-se só, portanto a onipresença. O medo da injustiça, portanto a onisciência.

O ápice da emoção, a pura definição de um sentimentalista.  Deus é o significado para o que se busca um significado.

Em meu livro “Racional”, capítulo 8, faço uma análise do sentimento amor. Para que fizeste isto descrevo que as emoções devem ser “retiradas” do sistema límbico e “levadas” ao córtex pré-frontal, a região cerebral responsável pela racionalização. Sim, nem neurologicamente podemos utilizar estas áreas simultaneamente.

Um sentimentalista não poderia definir o amor da maneira que o defino. Se o pudesse não seria um sentimentalista, pois o amor é o sensacional das emoções ao extremo. Defino o amor como uma reação físico-química, mas isto não me desprovê de senti-lo. O sentimentalista poderia definir o amor como uma reação físico-química, mas o que seria de suas excessivas emoções?

O homem é considerado um Ser racional no sentido de tomar decisões baseadas na lógica, na razão. Assim como hoje se sabe que muitos animais são racionais quando esta é a definição de racionalidade.

Sugiro que digamos que o homem é um ser que possuí razão e emoção, mas não um Ser RACIONAL!

Apesar dos extremos (Racional vs Sentimental) serem opostos e arraigados a traços de personalidade, são ideologias. É possível ir de sentimental para racional, mas nunca ser ambos.

O racionalista busca ao extremo a lógica, enquanto o sentimentalista é o extremo da emoção.

Tenho um filho de 3 anos e quando ele crescer terá acesso a toda informação de meu livro, documentários e filmes a respeito de Deus, mas isso não significa que ele será um ateu, vai que seja sentimentalista, não?

Lucas Belarmino – Autor de “Racional: A visão da descrença”.

Conheça o trailer do livro: https://www.youtube.com/watch?v=LvbXgwA51XA

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Contra-Argumentações Ateísta

A partir de hoje vamos analisar alguns argumentos pró- teístas e oferecer contra-argumentações para tal.


Começaremos com:
O ARGUMENTO COSMOLÓGICO  KALAM. 

 1 – Tudo o que passa a existir possui uma causa

2 – O universo passou a existir

3 – Logo, o universo possui uma causa.

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Alguns teístas acrescentam mais algumas características, tais quais:

3.1 A causa tem que ser Atemporal, pois o tempo passou a existir;

3.2 Imaterial, pois o material (Físico) passou a existir;

3.4 Ter poder inimaginavelmente grande, pois trouxe o universo a existência

3.5 “Ser” Não-Causado (Eterno), pois ele trouxe o universo a existência

3.6 Porém só existem dois tipos de “objetos” que se encaixam nesta descrição: Objetos abstratos e uma mente pessoal;

3.6.1 Objetos abstratos, como números, por exemplo, não podem causar nada

3.6.2 Segue-se que a única alternativa é uma mente transcendental

3.7 Agente Pessoal, pois sendo uma mente transcendental, e possuindo livre arbítrio, explicaria perfeitamente porque o universo tem 13.7 bilhões de anos. Sim, porque se a causa não-causa era eterna, porque o universo veio a existência exatamente a 13.7 bilhões de anos? Porque o Agente Pessoal dotado de livre arbítrio escolheu trazer o universo a existência;.


Vamos então falar sobre esse “argumento”, separaremos por tópicos:


  • A lei da causalidade não pode ser usada filosoficamente para deduzir uma causa natural ou da natureza
  1. Esta lei é uma lei lógica do pensamento que usamos para acessar a realidade, ou seja, tudo que imaginamos deve obedecer
  2. Se a realidade ou consciência da realidade inclui elementos imaginários ou abstratos, é necessário que haja uma distinção entre o que é real do que é imaginário
  3. Os elementos da imaginação podem até servir como causa, mas não podemos evidenciar se tal causa seja de fato a causa de algum fenômeno natural, para isso temos a epistemologia kantiana que defini dois conceitos importantes nesta investigação que são: a razão pura e a razão empírica

3.1. Da razão pura, temos a indução que nos conscientiza do saber puro. O saber puro é a essência do saber, da consciência dimensional, ou seja, do diferencial entre os elementos reais, mas este “diferencial” é por essência, da abstração, da imaginação. Tudo que conhecemos por saber puro se trata dos elementos imaginários necessários ou ontológicos da própria mente

Ex.: Um corpo físico possui dimensão.

Obs: Das sintaxe: o sujeito “corpo físico” só existe porque possui dimensões, ou seja, as dimensões são o predicado que defini a existência do corpo, isso é obvio, auto evidente.

3.2. Da razão empírica, temos a dedução que nos conscientiza do saber empírico. O saber empírico é o saber em si, que podemos experimentar, concluir, sintetizar e prever

Dessa forma Kant definiu o que podemos saber sobre os fenômenos naturais, usando o saber empírico, donde podemos conhecer a natureza usando a dedução, a previsão, sintetizando o saber em qualquer tempo.

Portanto a lei da causalidade se torna inválida sob qualquer perspectiva filosófica ou teológica na investigação causal da natureza do elementos reais


  • O universo e tudo que esta dentro DELE, PASSOU A EXISTIR E se DEGRADAR.

Isso é presunçoso, pois não sabemos TUDO o que há nos mínimos detalhes

A própria ciência que trabalha sob a lei da entropia, não ha explica nos mínimos detalhes


  • Nada QUE PASSOU A EXISTIR pode ser causa de si mesmo. O universo PORTANTO não pode ser causa de si mesmo

Não é isso que as últimas evidências da radiação de fundo e da energia escura, explica


  • As dez falhas do “argumento” 

1) A aposta de Kalam é um argumento circular, dá voltas em si mesmo e não apresenta evidência. Ele diz: “tudo que veio a existir tem uma causa” => “O Universo existe, logo ele tem uma causa” => “A causa do universo é deus” => “mas como deus surgiu?” => “deus não surgiu, ele é eterno” => “mas o que prova a existência de deus?” => “tudo que veio a existir tem uma causa” => “O Universo existe, logo ele tem uma causa” => “A causa do universo é deus”;

2) Quando argumenta-se que “deus não surgiu, ele é eterno”, usa-se a FALÁCIA NON SEQUITUR. Nela, a conclusão não se segue das suas premissas. E o mesmo princípio pode ser aplicado ao universo. Se podemos imaginar um deus sem explicação, causa e eterno, podemos perfeitamente imaginar (em tese) o universo, sem explicação, causa e eterno. Lembrando que várias proposições da física quântica sugerem que o universo pode mesmo ser eterno e o nada originar realmente o nada;

3) Ao alegar que deus não segue a premissa da necessidade de uma causa, a aposta de Kalam também cai na FALÁCIA DA ALEGAÇÃO ESPECIAL. Por sinal, a proposição “tudo que veio a existir” é irrelevante ao tema, não sendo nada mais que puro ilusionismo semântico. Tudo que existe veio a existir e tudo que veio a existir, existe;

4) A aposta de Kalam implica em um ciclo sem fim onde se torna impossível determinar a causa primeira. Se você quer provar algo com uma premissa, esse algo deve OBRIGATORIAMENTE se submeter à essa premissa. E não adianta tentar fugir disso. Se TUDO que existe (ou veio a existir, o que dá no mesmo) tem uma causa, deus obrigatoriamente tem de ter uma causa;

5) Nada justifica a especulação de que a causa precisa ser necessariamente “atemporal” e “imaterial”. Tal proposição sugere exatamente que a matéria veio do nada, o que quebra automaticamente o princípio de conservação de massas e energia, cuja premissa elementar afirma que no universo, nada pode ser criado ou destruído, apenas transformado. Tal princípio é plenamente preservado na Teoria do Big Bang;

6) MENTE = OBJETO /OBJETO = ABSTRATO – Afirmações automaticamente ABSURDAS. Ou é tangível ou não é tangível. Ou é abstrato ou não é abstrato. MENTE é um conceito abstrato para designar o conjunto de pensamentos e estruturas psicológicas construídas a partir das sinapses do cérebro. Qualquer tentativa de tornar isso tangível é uma invenção GROSSEIRA;

7) O tal “Agente Pessoal” não é nada menos que a Falácia do Espantalho: cria uma figura que alega ser necessária baseado em subjetivismo. Porque para o autor o tempo de existência do universo é “perfeito” (atributo humano que sequer tem parâmetro ou escala de medida), é necessário alguém que o crie. Mera especulação. Para afirmar que o universo foi criado é preciso apresentar evidências que sustentem a existência desse criador;

8) Não existe ABSOLUTAMENTE NENHUMA EVIDÊNCIA de que tudo que vem a existir tem uma causa. As afirmações nas quais se baseiam tal afirmação se aplicam apenas aos fenômenos conhecidos ou observáveis. Não se sabe se existe algo sem causa no limiar do espaço. Essa proposição se baseia na limitada perspectiva da compreensão humana;

9) A aposta de Kalam também cai na FALÁCIA DE COMPOSIÇÃO, que consiste em afirmar que o todo possui a mesma propriedade das suas parte. EXEMPLO: todos os jogadores de um time de futebol tem ou tiveram uma mãe, o que não significa que o TIME tem uma mãe. Os elementos que compoem o universo tem uma origem, o que não necessariamente significa que o universo também tenha, muito menos que siga o mesmo procedimento;

10) O conceito de existência está diretamente ligado ao tempo e ao espaço, que de acordo com a Teoria da Relatividade também estão interligados. Logo, qualquer coisa que “venha a existir” só pode ter explicação sob as leis da FÍSICA, que atuam nessas grandezas;

(retirado do site: O DESAFIADOR ATEU)


  • TUDO que é físico/material precisa de causa?

Não!  Porque o decaimento radioativo é um evento sem causa.

A instabilidade não determina o decaimento, apenas o possibilita. O que possibilita é uma condição. Causa é o que determina. A radioatividade alfa é um decaimento do núcleo e a beta dos nêutrons. Um núcleo instável pode permanecer indefinidamente assim ou decair a qualquer momento, sem que nada o determine. O mesmo se dá com as partículas subatômicas e com os átomos, moléculas e outros sistemas atômicos com elétrons excitados, que podem emitir fótons ou não. A excitação é só uma condição e não uma causa. (Texto retirado do site: Wolf Edler)


Esperamos que tenham gostado, acompanhem e aguardem, o melhor está por vir…rs

Por: Welbert Cabral e Helio Lima 


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