Dia de Finados: Só os vivos sofrem

Por Sergio Viula

mussum

Passou o divertido (e importado) Dia de Halloween e o (igualmente importado) Dia de Todos os Santos, afinal índio nunca comemorou isso até chegarem os invasores com suas armas e cruzes, e agora vem aí o Dia de Finados. Até nisso, há hierarquia: o Dia de Todos os Santos é para a elite dos que herdam o céu e o Dia de Finados para todos os outros, desde que batizados na Igreja Católica.

É importante para o católico celebrar todos os santos nesse dia específico, porque vai que algum santo tenha ficado esquecido no calendário anual. Lembre-se que todos os dias têm um ou mais santos sendo celebrados.

Agora, pagão (o não batizado) não merecia (e continua não merecendo) sequer ser lembrado.

Se fosse ateu, então, nem cova rasa queriam lhe dar. Claro, os cemitérios costumavam ser controlados pela Igreja, e até hoje a Santa Casa de Misericórdia controla muito do que acontece no agitadíssimo “condomínio dos mortos”.

E tudo isso é colocado estrategicamente em 31 de outubro e 02 de novembro para “substituir” as festas pagãs que mantinham crenças sobre o mundo dos mortos e dos vivos que não combinavam com as doutrinas cristãs. Claro que isso é muito lucrativo também: Três dias gastando dinheiro com os mortos, só que nos cofres da “vívissima” Igreja, enriquecendo o comércio religioso dentro e fora da máquina eclesiástica.

Mas muita gente diria, para usar a maneira originalíssima de falar que o Mussum usava: 

Caralhis, eu quero é mé! (risos)

Mas beba com moderação, porque alguns encurtaram a própria vida por causa do álcool e outros entorpecentes, especialmente ao volante.

De qualquer modo, enquanto o nosso próprio fim não chega, vamos sofrendo perdas e sentindo saudades. E como eu disse ontem no Hangout da ARCA, do qual tive que me ausentar antes do final por problemas de conexão (NET promete, mas não entrega a velocidade combinada. Não é a primeira vez que isso acontece)… Então, como eu dizia: A notícia é que vamos morrer. E a boa notícia é que vamos morrer. Explico:

É uma pena deixar a vida enquanto somos felizes, mas é um alívio ficar livre dela quando dores insuportáveis, doenças fatais para as quais não há cura, ou estados vegetativos nos atingem. 

Para muita gente, essa é a realidade nesse momento. Para outros tantos, a vida parece uma festa sem hora para acabar. De qualquer modo, enquanto pudermos viver com dignidade, vale a pena viver. E quanto a morte, racionalmente falando, não há o que temer. Epicuro nos dá uma excelente lição sobre isso e penso que vale a pena lê-la, especialmente nesse dia 01 de novembro: 

Epicuro

Grécia Antiga
341 // 270
Filósofo

A Morte Não É Nada Para Nós

          Habitua-te a pensar que a morte não é nada para nós, pois que o bem e o mal só existem na sensação. Donde se segue que um conhecimento exato do facto de a morte não ser nada para nós permite-nos usufruir esta vida mortal, evitando que lhe atribuamos uma ideia de duração eterna e poupando-nos o pesar da imortalidade. Pois nada há de temível na vida para quem compreendeu nada haver de temível no facto de não viver. É pois, tolo quem afirma temer a morte, não porque sua vinda seja temível, mas porque é temível esperá-la.
          Tolice afligir-se com a espera da morte, pois trata-se de algo que, uma vez vindo, não causa mal. Assim, o mais espantoso de todos os males, a morte, não é nada para nós, pois enquanto vivemos, ela não existe, e quando chega, não existimos mais.
          Não há morte, então, nem para os vivos nem para os mortos, porquanto para uns não existe, e os outros não existem mais. Mas o vulgo, ou a teme como o pior dos males, ou a deseja como termo para os males da vida. O sábio não teme a morte, a vida não lhe é nenhum fardo, nem ele crê que seja um mal não mais existir. Assim como não é a abundância dos manjares, mas a sua qualidade, que nos delicia, assim também não é a longa duração da vida, mas seu encanto, que nos apraz.
          Quanto aos que aconselham os jovens a viverem bem, e os velhos a bem morrerem, são uns ingênuos, não apenas porque a vida tem encanto mesmo para os velhos, como porque o cuidado de viver bem e o de bem morrer constituem um único e mesmo cuidado.

Epicuro, in “A Conduta na Vida”

————————————————————————————

Só para concluir, ressalto o seguinte:

Com medo da morte, alguns vivem miseravelmente, enquanto outros, a partir da exploração desses medrosos, vivem como reis. Além do medo, culpas meticulosamente geradas e manipuladas para darem o maior lucro possível e a conservarem relações de força desvantajosas para aqueles que se submetem aos supostos “mestres”, “guias”, “pais”, “mães”, “pastores”, entre outros, vão mantendo os crédulos presos por correntes e grades imaginárias dos mais variados tipos.

Anúncios

Deixe seu comentário ou sugira o assunto do seu interesse para futuras publicações!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s