Ensino Religioso nas Escolas

religião na escola

Olá queridos leitores tudo bem? Estou de volta após uma pausa por motivos particulares mais retornamos com tudo. Bom, esta semana irei abordar um tema que recentemente vem sendo debatido e muita gente se espanta ao tocar no assunto. Iremos abordar sobre o ensino religioso nas escolas públicas. Eu sei que muita gente diz “a mais isso é coisa boba, não tem nada a ver.” Ok, pode não ter pra você, mais você já parou pra pensar que nem todas as crianças e nem todos os pais cultuam a mesma religião que a sua e que os mesmos também devem ser respeitados? Enquanto por exemplo rezam o pai nosso você está satisfeito, mais e quando começarem a manifestar sobre todas as religiões sem distinção, e ai? Enquanto ensinam sobre a religião que você segue tudo bem, mais não é assim que as coisas funcionam.

Para inicio de conversa, posso afirmar que o ensino religioso não provém da constituição de 1988. Partindo desse princípio a questão do ensino religioso engloba dois complexos de normas o complexo de normas que proíbe interferência do Estado em assuntos religiosos e o complexo de normas que estabelece a liberdade de pensamento e de crença. Para utilizarmos um termo sintético, digamos que a questão do ensino religioso envolve o problema da LAICIDADE e o da LIBERDADE.

Os dois termos são diretamente ligados entre si, ou seja, só existe a liberdade de crença, de pensamento na medida em que se há laicidade e vice versa. A liberdade de pensamento só é garantida em um Estado Laico, ou seja, um estado que não se posicione implícita ou explicitamente a favor desta ou aquela religião. Em cidades do interior por exemplo é regra rezarem, ou qualquer forma de manifestação religiosa antes de se iniciar as atividades escolares e se torna um absurdo contestar tal ato. Mais se você é ateu ou possui uma religião diferente, você tem todo o direito de posicionar contra e fazer se aplicar a lei.

O que acontece muitas vezes é as pessoas serem achincalhadas, serem hostilizadas por não terem uma crença (ou não compartilharem da mesma crença). Isso muitas vezes contribui para que aceitemos calado esse desrespeito. Se tem relatos recente de um aluno ateu que se posicionou contra rezar o pai nosso no início das aulas e o mesmo começou a servir de chacota perante a turma com a conivência e a ajuda do seu próprio professor. Mais felizmente ele conseguiu fazer valer o seu direito e foi extinto o pai nosso antes das aulas. Segue o link da matéria citada a título de curiosidade: http://www.revistaforum.com.br/blog/2013/04/reacao-de-aluno-ateu-a-bullying-acaba-com-pai-nosso-na-escola/.

A grande questão que quero fomentar aqui é, pode um Estado laico ceder espaço em suas escolas públicas para que uma crença religiosa ensine às crianças uma doutrina específica, com professores indicados por uma igreja específica? Logicamente que não, mais a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) acha que sim, partindo do pressuposto que sejam ensinados o catolicismo ou o cristianismo. Vamos levantar uma questão, e se ao invés de se ensinar o catolicismo ou cristianismo algum estado do Brasil resolvesse ter como base o candomblé ou o espiritismo? A CNBB continuaria pensando da mesma forma?

Caso fossem adotar esse tipo de ensino, não se pode adotar apenas religiões majoritárias como catolicismo e protestantismo, mais também o espiritismo, o candomblé, a umbanda e todas as religiões que fazem parte da nossa cultura, abrindo espaço também para o ateísmo e para o agnosticismo. Caso fosse adotado o ensino religioso nas escolas, o mesmo deveria seguir no mínimo essa premissa; aos professores dessas disciplinas deverá ser proibida qualquer forma de proselitismo, cabendo a eles expor o papel dessas doutrinas, sem fazer juízo de valor de qual seria a melhor ou a pior.

Infelizmente, pelo visto esse tipo de imparcialidade se assim podemos dizer, está muito longe de se tornar real, uma vez que as pessoas querem impor suas crenças sobre as outras, e as mesmas tem o pensamento que só a crença dela é a correta e todas as outras são uma afronta. Enquanto não se houver o respeito mútuo de ambas as partes ficaremos nesse impasse. Sonho com o dia que todos, independente de sua crença ou descrença sejam respeitados, só assim teremos maturidade para sentar e debater sobre o assunto.

Para fechar, deixo a vocês uma frase de Simone Weil “A religião como fonte de consolação é um obstáculo à verdadeira fé; nesse sentido, o ateísmo é uma purificação.”

Um abraço e até a próxima! Qualquer comentário, opinião ou crítica comentem abaixo, responderei a todos com muito prazer, obrigado!

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