O cachorro salvando o peixe? – Chega de palhaçada!

Por Lucas Belarmino

Cachorro-tenta-salvar-Peixe-Fora-dÁgua

Lembram do vídeo do cachorro jogando água para salvar o peixe fora d’água?

E do peixe sendo solto a beira do rio, mas decidindo voltar para a mão do humano?

Lembram-se do pássaro que alimentava os peixes?

Pois é, nossa realidade só diz respeito ao ponto de vista humano. Dar forma ou características humanas a elementos da natureza, deuses, animais e constituintes da realidade em geral é uma forma errônea de julgar o mundo.

Conhecemos como realidade os dados armazenados em nosso cérebro através de nossos sentidos. Julgamos a realidade de acordo com nossa cultura, estabelecendo o bem e o mal, que sempre serão relativos e nunca absolutos. Percebam que uso o NUNCA absolutos, pois mesmo que achemos errado matar, algumas culturas o fazem com naturalidade (com seus motivos). As religiões estigmatizam a moralidade de acordo com suas doutrinas e dogmas, afirmando possuírem a verdade (do que é certo e do que não é) e influenciam completamente a realidade.

Ontem assisti a um vídeo do Estado Islâmico que mostra uma criança executando um árabe-israelense. Qual a visão que esta criança terá de vida? Quais serão suas percepções a respeito de moralidade?

O antropomorfismo faz-se presente na religião quando filosoficamente sabe-se o que Deus quer, pensa e gostaria ou até quando se dá forma a este Deus, de acordo com o que o Ser humano acredita. Lembram que somos a imagem e semelhança de Jeová?

Para ficar mais claro o antropomorfismo, analisemos a etimologia da palavra – antro (vem de antropologia e diz respeito ao homem), morfe (forma) – portanto é tornar algo a forma humana ou enxergar algo (Deus, espécie, elementos da natureza) julgando por nosso ponto de vista.

Tomemos como exemplo aquela senhorinha que faz questão de todos os domingos levar o cachorro de estimação para tomar banho e fazer compras. O cão deixa o pet shop repleto de jóias, um óculos de sol e uma roupinha que se parece a um terno com belos sapatos. A dona orgulha-se da “alegria” que está proporcionando ao animalzinho de estimação, quando na verdade só está vendo aquela situação de acordo com a realidade do que a agrada, não analisando que tal situação tende a estressar e não agradar ao cãozinho.

Martine Roch _la marelle

Como detectamos o antropomorfismo?

Segundo meu amigo e biólogo Igor Morais: “Para começar, temos que conhecer o comportamento da espécie em questão. Se não o conhecemos, há grandes chances de interpretamos de forma errada o comportamento e – como nossa espécie é “sedenta” por significado – dar uma explicação baseada no comportamento do próprio ser humano. Por exemplo, os golfinhos costumam ameaçar abrindo a boca, para mostrar sua potencial arma que são os dentes. No entanto, o formato da boca de muitas espécies de golfinho lembra um sorriso. Assim, quem não conhece o comportamento desses animais pode facilmente interpretar uma ameaça como um comportamento amistoso, e – infelizmente – às vezes acontecem acidentes por causa disso.”

Dias atrás vi este vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=jztvao8zkpo

Trata-se de um cachorro jogando água em um peixe que estava fora d’água. Milhares de compartilhamentos e em comum as citações de que os cães têm muito a ensinar aos seres humanos. O próprio título do vídeo descreve “Quem é o animal irracional?”. O ato do cão é uma peculiaridade dos caninos, que cometem tal ação visando esconder o brinquedo, a comida, ou que quer que seja. O animal não está tentando de maneira alguma salvar o peixe!!

Também “explodiu” nas redes sociais um vídeo de um peixe sendo solto por um humano na beira do lago, mas o peixe nadava alguns metros e retornava na direção das mãos do homem que o soltou. Fora dito que o peixe era de estimação e, portanto, tinha um afeto com o dono (supostamente o rapaz que o soltava). Na verdade esta circunstância é comum a peixes com problemas cognitivos, que vão em direção a sombra e que possivelmente falecerão.

Outro caso foi a respeito de um pássaro que supostamente alimentava peixes no lago. https://www.youtube.com/watch?v=mtIdCoJdg_M (não achei o original).

E novamente foi dada a explicação pelos milhares que compartilhavam o vídeo de que o pássaro preocupava-se com os peixes e que, por isso, os alimentava. Quando na realidade a ação poderia demonstrar diversas teorias plausíveis, uma delas de que a ave teria perdido um de seus filhotes e a ação era instintiva.

Um exemplo de instinto neste sentido são os pintinhos. Quando nascem acreditam que a “mamãe” é a primeira criatura que vêem. Então se fizerem um vídeo de alguns pintinhos andando atrás de um Ser humano, podem elaborar que o pequeno pinto ama tanto o homem que não quer se afastar dele (essa parte ficou estranha não? RS).

Não sou nenhum biólogo, isto é evidente. Peço perdão se falei alguma abobrinha. O meu post de hoje é apenas uma tentativa de que sejamos mais céticos quando julgarmos outras realidades.

Lucas Belarmino

https://www.facebook.com/lucas.belarmino1

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