Os escravos da atualidade – A chibatada do capitalismo

Por Lucas Belarmino

escravo

Ouvindo a radio deparo-me com uma música do Rappa com o seguinte verso “…a miséria é um insulto, motiva a fé do Mundo”. Achei incrível a definição!

Na época dos escravos negros, a bíblia justificava que abdicassem desta vida em detrimento a uma outra eterna, obedecendo a doutrina religiosa que determinava plena subordinação a seus senhores de pele branca.

”Escravos obedeçam em tudo aos vossos senhores terrenos, não só sob o seu olhar, como se os servísseis para agradar aos homens, mas com simplicidade de coração, por temor de Deus”. – Colossenses 3:22 

”Escravos, obedeçam aos vossos senhores”. – Efésios 6:5 

”Os escravos devem estar submissos em tudo aos senhores. Que lhes sejam agradáveis, não os contradigam, não roubem”. – Tito 2:9-10 

Os versículos eram comumente utilizados pelos senhores para justificar seus atos e pelos escravos para conformar-se a servidão. O senhor sabia o que podia fazer com o escravo e quais limites eram impostos por Deus.

”Se alguém ferir seu escravo ou sua escrava com um bastão e morrer sob suas mãos, seja punido severamente, mas se sobreviver um ou dois dias, não seja punido, porque é seu dinheiro”. – Êxodo 21:20-21 

Arqueologicamente cabe notar que para a época era comum, enquanto hoje, abominamos qualquer referência aos negros como inferiores em qualquer quesito.

Aqui cito a bíblia, mas poderia muito bem apresentar “O livro dos espíritos” de Allan Kardec, que justificava que o negro seria incapaz de aprender e reforçando que deveria servir ao homem branco. Hoje Kardec seria um racista, mas não naquela época.

A religião fora suficiente para adotar a escravidão como normal e os negros como inferiores, ou fora também questão política?

É ai que está o cerne da questão. Estado e religião eram uma só instituição. As leis do Estado eram as leis do livro sagrado. Isso acontece hoje no Islã. Aplicam-se as leis dogmáticas a todos, inclusive aos que não creem em Maomé, são hereges e merecem ser punidos conforme evidenciado no livro sagrado.

Na época dos escravos, a bíblia e a fé nesta, supostamente era suficiente para que abdicassem dos prazeres da vida (pelo menos do prazer de ser livre) para que fossem recompensados numa outra vida que viria após a morte. Um escravo só aceitava ser escravo, pois era levado a crer que nascera para o “cargo” e fora designado para agradar a Deus de tal forma.

Vou adiante em opinar que o primeiro escravo a rebelar-se contra o sistema (político e religioso) foi um ateu. Este, observou cético o designo de sua vida e não concordou que a vontade divina pudesse ser benevolente. Pôs-se contra e formou opiniões com uma nova ideologia que demandava abster da “vida eterna” baseada na fé para viver plenamente esta vida, buscando justiça e moralidade de acordo com o que entendia, não mais em obediência religiosa.

Dito isto, é claro perceber como a miséria há de sustentar a fé. Se um miserável nasce sequer tendo onde abrigar-se e acha injusto que outros tenham, alguém o diz que Deus tem um plano para sua vida e que Deus é bom. Ele se conforta.

Se um indivíduo assassinar o filho de um religioso, este consegue acreditar que estava no plano de Deus e que é um teste de fé, pois Deus tudo sabe, fazendo-o ainda conseguir perdoar o assassino.

Se aquele que não crê tem bens valiosos e o religioso não os tem, a bíblia diz que aqueles que muito tem serão os primeiros a serem cobrados.

Por fim, a religião consegue justificar qualquer dificuldade levando o religioso a encarar como algo bom para sua vida. Sempre demonstrando que esta vida não vale nada.

Karl Marx afirmava que a religião era o ópio do povo. Defendia a premissa de que a religião era a única forma de controlar toda nação. Visto que qualquer forma de governo – democracia, monarquia, aristocracia, etc – sempre terá grupos que se rebelarão contra o Estado, cria-se, portanto, um Ser sobrenatural, que tudo sabe, que tudo pode e que tudo vê, e determina doutrinas – o que é certo e o que é errado – para que o medo seja o suficiente para oprimir até a minoria dos rebeldes.

Homem não tem medo de homem, mas homem tem medo de Deus.

Um escravo só aceitava ser escravo porquê acreditava ser a vontade divina. E você religioso? Escravo da miséria e da injustiça. Continuará justificando os problemas do Mundo com um plano de Deus?

Acorde e fuja da senzala de concreto.

*Alguns versículos da bíblia justificavam a escravidão de povos, mas foram utilizados para apoiar a escravidão dos negros.

Lucas Belarmino, autor do livro “Racional – A visão da descrença”, trabalha como gerente em farmácia de manipulação e loja de suplementos. Em seu tempo ocioso dedica-se a estudar temas que subjetivamente correlacionam ao ateísmo, dentre eles, biologia, astronomia, história e psicologia. Acredita que a melhor forma de se expressar é através da escrita. Pode ser encontrado no facebook em: https://www.facebook.com/lucas.belarmino1

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