A intolerância e o Intolerável

Por Leandro Ferraz

Chargista Fred

Como não poderia deixar de ser, é inevitável uma coluna que trata do tema religião x política não abordar o acontecido na França relacionado ao ataque a agência francesa Charlie Hebdo.

 

Pesquisando sobre o assunto, deparei-me com um posicionamento do Veríssimo publicado no dia 15/01/2015 pelo jornal O Globo. O que me chamou muita atenção foi o conteúdo da matéria, onde o autor abordava um ponto de vista que eu já tinha ouvido algumas pessoas dizendo – algumas pessoalmente e outras em redes sociais – coisas como: “bem feito” ou “eles estão pagando”; referente ao massacre ocorrido. É exatamente disso que falaremos hoje.

Não consigo compreender o que passa na cabeça das pessoas que proferem algo do tipo, como um acontecimento catastrófico desse e com várias vítimas pode servir como penitência para quem quer que seja? Todo assunto do mundo é satirizado, independente a que área ele pertença, me admira muito somente quando se trata da sátira religiosa acontecer tal retaliação. Desrespeito acontece em qualquer parte, relacionado a qualquer coisa e nem por isso as pessoas entram atirando e matando pessoas aleatórias. Claro que toda forma de ofensa deve ser reparada e tratada com a devida severidade, mais que ajam pelos meios legais, tivessem acionado a justiça, entrassem com uma ação contra a revista e etc, pois nada justifica esse tipo de atitude.

Ouve-se muito na mídia o termo blasfêmia com relação ao ocorrido, pra quem não conhece ou nunca ouviu falar no termo, blasfêmia nada mais é do que uma afronta ao sagrado. Assim, a verdadeira discussão não é sobre o que as pessoas consideram blasfêmia, mas sobre o que consideram sagrado. A descrença em qualquer divindade é uma blasfêmia perene — ou, partindo de outro ponto de vista, quem não crê em nenhum deus não pode, por definição, ser um blasfemo. Ou seja, a blasfêmia depende do ponto de vista e da crença ou descrença de cada um. Pois o pecado por exemplo, só existe na visão de quem possui alguma orientação religiosa, ou seja, eu por exemplo não me considero pecador e nem acredito que aja punição de alguma divindade por isso.

Os religiosos em si, desrespeitam as pessoas a todo momento, seja pregando dentro dos ônibus, batendo nas portas das casas das pessoas tentando evangelizá-los, extorquindo fiéis a todo momento, forjando curas milagrosas dentro das igrejas, ridicularizando e tratando com preconceito quem não é adepto de nenhuma crença e etc… E nem por isso, quando me sinto desrespeitado em qualquer uma dessas situações isso me dá o direito de entrar atirando seja onde for porque fui agredido. Por isso volto a dizer que nada justifica esse fato lamentável ocorrido. Se fazer justiça com as próprias mãos passar a ser correto, não precisaremos mais de leis e de justiça no mundo, iremos retroceder aos velhos tempos onde a lei era olho por olho e dente por dente.

Em muitas ocasiões, blasfêmia mesmo é o que se faz a favor de uma crença ou de uma divindade, atitudes cegas e impensadas que levam a extremos inimagináveis, uma ofensa a quem se dá ao direito de pensar, questionar ou descrer. E isso não está restrito somente ao islamismo radical, já vivemos tempos em que não acreditar no Deus da Igreja Romana era motivo suficiente para ser queimado vivo no meio da praça. Devemos sim combater esse tipo de atitude e lutar pela liberdade de expressão, e não nos acomodarmos perante a essa forma brutal de censura.

Pra fechar deixo a vocês uma frase do pensador Garcia Junior, bem propícia ao tema abordado:

“Fé: Pensamento que algo superior possa me ajudar 

Ateísmo: Pensamento em que eu sou o algo superior que pode me ajudar.”

Segue o link da matéria do Veríssimo citada acima, até a próxima e muito obrigado pela atenção!

http://oglobo.globo.com/opiniao/blasfemia-15054871?utm_source=Facebook%20&utm_medium=Social%20&utm_campaign=O%20Globo

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