Zombar não é o melhor argumento para convencer, mas respeitar já é demais.

Por Lucas Belarmino

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Desta vez a luta foi diferente, pois contra as armas apenas a inteligência sobreviveu.

Não zombaremos de Todos e sim de Tudo o que quisermos, pois isto é liberdade de expressão.

Respeito se conquista e sabe por que sempre zombaremos do cristianismo?

Porque a bíblia é contra a liberdade. Este livro semeou o ódio em famílias e nações, alimentando as chamas da guerra. É o sustentáculo dos reis e tiranos — o escravizador de mulheres e crianças. Fez com que faculdades e universidades ensinassem erros e odiassem a ciência. Este livro encheu a cristandade de seitas odiosas, cruéis, ignorantes e autoritárias. Ensinou o homem a matar seus semelhantes em nome de Deus. Fundamentou a Inquisição, inventou instrumentos de tortura, construiu calabouços nos quais homens bondosos apodreciam. Despojou a razão da mente de milhões e fez com que pais e mães derramassem o sangue de seus bebês. Era este livro o tablado sobre o qual as mães escravas ficavam durante os leilões que as separariam de suas crianças. Rendeu muito aos vendedores de escravos e transformou carne humana em mercadoria.

Este livro acendeu as chamas que consumiram as “bruxas” e “feiticeiras”. Transformou a escuridão na morada de fantasmas e os corpos de homens e mulheres na morada de demônios. Poluiu as almas dos homens com o infame dogma da danação eterna. Transformou a credulidade na maior das virtudes e a investigação no maior dos crimes. Este livro colocou os santos ignorantes e imundos acima dos filósofos e filantropos. Ensinou o homem a desprezar as alegrias desta vida para poder ser feliz na outra — a desperdiçar esta vida em nome da próxima. Fez os escravos aceitarem a escravidão e as mulheres a submissão.

 O incidente que matou 12 pessoas na França ainda tem gerado muito debate. Hoje não falaremos mais disto, mas de uma vez vamos esclarecer a diferença e os limites da liberdade.

As vítimas teriam parcialidade na culpa por zombarem da religião ou seriam vítimas de radicalistas que defenderam o profeta, ou seja, a fé?

Desta vez o debate é Mundial e para saber qual lado da opinião levou vantagem basta observar a França, aonde 4 milhões de pessoas foram as ruas em defesa da liberdade de expressão.

Liberdade religiosa é o que defendia os chargistas que foram mortos. A laicidade defende que TODOS devem ter a livre expressão, inclusive a de sua fé.

Mesmos nós, defensores da liberdade de expressão defendemos também o direito de liberdade religiosa. Somos tanto a favor da livre expressão quanto a livre expressão da fé.

Para a liberdade não existem extremos. Você não pode ser muito livre ou pouco livre. Você só pode ser ou não ser livre.

Mas existe um limite na liberdade de expressão que determina que para a fé exista limites?

A religião encaixa-se no âmbito das ideias, mesmo que possa parecer que mexer com tais ideias é um desrespeito com pessoas, não é. Na verdade, o apego que a fé demanda faz com que o fiel “vista a camisa” de sua divindade. Aparentemente mexer com a minha fé é mexer comigo.

Se Deus é tão bom para mim, responde minhas preces, me ama e somente ele me entende, então ele faz parte de mim. Na verdade nós ateus sabemos que Deus e o teísta são um só.

Quando foi perguntado ao Inri Cristo em que momento ele descobriu que era Jesus, respondeu que quando foi orar, acabou percebendo que falava consigo mesmo.

É claro que isso é uma piada, mas não é bem assim?

O teísta e Deus são um só. Quando o teísta não enxerga no escuro, Deus enxerga para ele. Quando lhe falta poder para curar, Deus cura. Quando o teísta tem medo e não pode prever o futuro, Deus prepara.

Dessa forma fica evidente a dificuldade de vincular a fé religiosa a meras ideias, mas a verdade é que não passa disto.

A ideia religiosa do cristianismo defende ideias que afetam a vida de descrentes. Por exemplo, os homossexuais ainda são vistos como aberrações e a cura evangélica tem sido propagada ao redor do Mundo, neste caso os cristãos defendem que ser gay é uma escolha ou uma possessão e que Deus é a cura.

Acreditar nisto não é um problema desde que não afete pessoas que não compartilham da mesma crença. Sair às ruas impondo a ideia religiosa em manifestações e querendo alterar a Constituição do país com uma lei que afete negativamente a vida de descrentes e gays é uma falta de respeito com as pessoas. Isso ainda é mais grave, chama-se HOMOFOBIA e é crime. Fazer uso da liberdade religiosa para justificar que você é livre para ser homofóbico e que qualquer opressão a essa atitude é ir contra a liberdade religiosa é confundir toda semântica dos direitos humanos.

A Constituição está acima de qualquer ideia, inclusive de sua crença religiosa.

Você pode ser uma pessoa de fé e acreditar no que desejar, desde que não tente impor atos que afetem a vida de pessoas que não compartilham de sua crença.

Em livre expressão vos digo, que se você não gosta que “deem a bunda, apenas não de a sua, ué”. Deixe que façam, por que isso te incomoda?

E se no livro sagrado está escrito que isso é pecado, saiba que quem irá julgar o gay, o descrente, o herege, o blasfemador será Deus. Sim, vocês não precisam defender um ser Todo poderoso como Jesus ou Maomé, pois se a fé de vocês for real o melhor que vocês podem fazer é propagar as suas ideias para “ajudar” as pessoas, não impô-las.

Muito menos através de atos que vão contra os direitos básicos, como matar ou agredir.

Percebam que posso postar uma imagem caçoando Jesus aqui que não faz diferença, não estarei te desrespeitando e sim à ideia religiosa. Se Jesus para mim não existe eu zombarei, do mesmo jeito que cristãos comem carne de vaca enquanto ela é sagrada na Índia e ao ponto de vista dos indianos é um grande desrespeito. Ao menos eles compreendem que outras culturas são diferentes da sua e que o Deus que prevalece no ocidente não se opõe a comer carne de vaca. Eles saem por ai matando quem come carne de vaca ou simplesmente eles não comem?

Aqui no Brasil, se desenharmos uma vaca sendo morta ou dois homenzinhos de joelhos idolatrando uma vaca sagrada, nós estaremos então cometendo um crime?

No máximo estaremos desrespeitando a ideia religiosa e não as pessoas que acreditam nesta ideia.

Por quantas vezes ouvi “chuta que é macumba” ou a história de alguém que pegava a galinha preta e o vinho deixado para o Orixá em tom de piada?

Por quantas vezes não ouvi brincadeiras com santos como São Longuinho, São Pedro, São Jorge e o dragão?

Mas e se alguém acredita no que está sendo zombado?

E se alguém acha ofensivo que brinquemos com a imagem de ETs?
Vocês comumente chamam são paulinos de gays e brincam o tempo todo com isto. E se um são paulino achar ruim ele tem as razões dele para tirar uma vida?

Essa analogia é fraca, porém válida, para que entenda a diferença de respeito às ideias em detrimento as pessoas.

Existiu uma época em que o cristianismo foi imposto através do “cala boca”. Queimar, torturar ou apedrejar em praça pública era exemplo para oprimir a liberdade de expressão. Os radicalistas muçulmanos tentam fazer o mesmo e você ainda é de acordo que com Maomé não devemos brincar, pois ofende uma ideia que pessoas acreditam?

Acontecimentos como este vêm contribuindo para que o Mundo enxergue além das barreiras. O grito de “NÃO IREMOS NOS CALAR” desta vez veio de todo o Mundo.

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