A sabedoria do bom velhinho

Por Lucas Belarmino

10877769_771427286278400_718124836_n

Estive com um senhor muito bonzinho. Extremamente generoso contava-me sua história. Parecia que toda sua vida doou a ajudar as pessoas. Questionei se falava de seus familiares e respondeu que os mesmos não precisavam de sua ajuda.

Comovia-me sua devoção de 50 anos ajudando instituições. Contou que seis meses por ano fazia trabalhos voluntários, no último, ajudou a pintar as paredes de uma instituição de combate ao câncer. Esteve próximo de crianças prestes a falecer e alegrava-se em contar que um último sorriso àqueles rostos pode dar.

Inspirou-me e fez de meu dia melhor. Pus-me mesquinho ao perceber que não acredito na humanidade, tão pouco doaria anos de minha vida a ajudar o próximo.

O que primeiramente me chamava atenção era sua paciência no transito. Logo pensei, como será que esse homem mantêm- se tão calmo em situações que eu “explodiria”? Principalmente quando aquele homem, em pressa, jogou o carro à frente e o fechou. Ele disse calmamente – vá com calma meu filho.

Deduzi, claro, aquele homem era um devoto a Deus.

Senhor permita-me perguntar, qual a sua religião?

Não tenho religião meu filho – ele respondeu

Logo aguardei uma continuação de sua frase, deduzindo ainda ouvir que Deus morava em seu coração, não em Igreja alguma.

O senhorzinho continuou:

Não acredito em Deus algum.

Claramente espantei-me. Como assim?

Está assustado filho? Nunca precisei de Deus para ajudar alguém. Isso se chama empatia, compaixão, esperança na humanidade. – respondeu.

Questionei como lidava com a crença das outras pessoas. Ele respondeu que nos hospital em que era voluntário, deparava-se com crianças próximas a morte. Um dia uma das crianças perguntou a ele se Deus existia.

Colocando-me no lugar do senhorzinho imaginei que ficaria sem resposta. E então, o que o senhor disse?

Eu menti meu filho – ele respondeu – aquela criança precisava ter um bom motivo para morrer em paz.

Mas o senhor não acha que deveria falar a verdade? – indaguei.

A verdade dói. Quem de nós ateus não gostaria que Deus existisse? Dessa nossa fragilidade o criamos e sustentamos a crença até hoje pelo medo que os humanos têm de morrer. E você meu filho, não tem medo de morrer? – questionou-me.

Tenho medo do que presenciarei em vida. Tenho muitos medos, o maior deles é da morte. Não somente da minha, mas daqueles que amo. Tenho medo de morrer e penso como aqueles que me amam e precisam de mim vão ficar. Mas sei, que depois que morrer, serei o mesmo que era antes de nascer.

Nesse instante disse a ele que também era ateu e naquela hora me pus a lembrar das religiões. Tive certeza que o inferno seria um lugar adorável, encontraria pessoas como o senhorzinho e teria muita história boa para ouvir.

História de pessoas que fizeram o bem, talvez lá encontre até Gandhi, ganhador do prêmio Nobel da Paz, e já que é HINDU, não idolatrou o Deus certo.

Tenho uma boa chance de encontrar Einsten e poder perguntar como era ser um gênio em sua época.

Entre tantos estaria ao lado dos maiores gênios da humanidade.

O Diabo não parece ser tão ruim assim, já que na bíblia teria matado apenas 10 pessoas (a família de Jó) com a permissão de Deus.

Não sei não, mas Deus não me parece um cara legal.

 

Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas coisas.
Isaías 45:7

 

Epícuro:

Deus deseja prevenir o mal, mas não é capaz? Então não é onipotente. É capaz, mas não deseja? Então é malevolente. É capaz e deseja? Então por que o mal existe? Não é capaz e nem deseja? Então por que lhe chamamos Deus?

Anúncios