LEI DO RETORNO / LEI DO KARMA: “Aqui se faz e aqui se paga” ?

Por Lucas Belarmino

320px-Harmonices_Mundi_0001-lg

 

Bem-vindos (as) a mais uma quinta-feira em minha coluna, meu nome é Lucas e hoje uso da lógica para analisar as leis de justiça do universo ou também conhecidas como leis celestiais.

Quem de nós nunca ouviu ou talvez fomos protagonistas de frases diversas com essência de – aqui se faz e aqui se paga – usando-as sempre que observado algum ato de injustiça ou maldade. Crendo fielmente no retorno da injustiça àquele que cometeu- a.

Existem várias interpretações para a LEI DO RETORNO / KARMA, a mais comum é de significância pagar por algo que se fez.

Peço ao leitor (a) que não desista de ler esse texto, terá logo abaixo uma estória muito interessante que prenderá sua atenção, levando a uma fácil e interessante conclusão.

Antes da estória precisamos entender o significado de lei e identificar em qual tipo RETORNO / KARMA encaixa- se:

Lei é um principio, um preceito, uma norma, criada para estabelecer as regras que devem ser seguidas, é um ordenamento. Do latim “lex” que significa uma obrigação.

No âmbito do Direito, a lei é uma regra tornada obrigatória pela força coercitiva do poder legislativo ou de autoridade legítima, que constitui os direitos e deveres numa comunidade.

 No âmbito constitucional, as leis são as normas produzidas pelo Estado. São emanadas do Poder Legislativo e promulgadas pelo Presidente da República.

 No sentido científico, lei é uma regra que estabelece uma relação constante entre fenômenos ou entre fases de um só fenômeno. Através de observação sistemática, a lei descreve um fenômeno que ocorre com regularidade, associando as relações de causa e efeito, como por exemplo, a Lei de Gravitação Universal ou a Lei de Ação e Reação, determinadas por Isaac Newton.

E então, conseguiu identificar em qual âmbito encaixa-se LEI DO RETORNO / LEI DO KARMA?

Se você optou pelo sentido cientifico, acertou. A LEI DO RETORNO é cientifica. Para que encaixemos –a na lei correspondente, ela deve cumprir os requisitos:

1 – ser comprovada através de observação sistemática;

2 – ser um fenômeno que ocorre com regularidade e que seja infalível.

A LEI DO RETORNO / KARMA é infalível e os resultados podem ser observados?

Claramente, se você acredita nessas leis dirá que sim. Mas de maneira lógica vamos analisar argumentos que a levarão a comprovação ou a definição de mais uma falácia global.


João trabalha há três anos na empresa de cosméticos. Funcionário assíduo e exemplar. Sempre chega no horário, cumpre com todas suas obrigações e possui um desempenho invejável.

Há pouco tempo o chefe de João foi mandado embora. João não pareceu gostar do novo chefe. Estava adaptado aos constantes elogios de seu serviço e sentiu dessa vez que a falta deles o desmotivava.

Seu novo chefe, Mauricio, era muito mais rígido. Levou a empresa a um crescimento maior em níveis produtivos, porem demonstrou não ligar muito a parte humanista que antes era a essência da empresa.

Certo dia, João faltou ao serviço. No dia seguinte, seu chefe Mauricio, chamou-o a uma reunião. Procurou entender o motivo da falta e pediu que João explicasse a ausência. João lhe disse – “Sempre fui um ótimo funcionário, não há motivos para justificar minha falta. Apenas precisei faltar”.

No dia seguinte, Mauricio o chamou novamente à sala. Pediu que passasse no RH, pois era seu ultimo dia, estava despedido.

João achou injusto o que seu novo chefe fez – “Ora, sempre fui um ótimo funcionário, como pode esse rapaz chegar e já cometer tamanha maldade”.

Antes de ir embora despediu de seus companheiros de trabalho. Todos comentavam, o chefe Mauricio era ruim, não pareciam acreditar que o melhor funcionário estava a ir embora. TODOS acharam injusto.

Cada um que se aproximava a abraçar João lhe dizia – Isso não vai ficar assim. Mauricio vai pagar por seu ato de maldade. Aqui se faz e aqui se paga. Sabemos que Deus é justo e não falha.


Caros, conhecendo a perspectiva / ponto de vista que a estória apresenta, facilmente somos levados a achar que Mauricio cometeu tamanha injustiça. Ora, João era um excelente funcionário, talvez até o melhor e foi mandado embora por apenas uma falta sem justificativa.

Agora vamos analisar outro ponto de vista:


Mauricio, pai de família, nunca teve oportunidade de estudar. Batalhou muito para crescer profissionalmente dentro de uma empresa alimentícia e por todo seu esforço chegou à administração da empresa. Demonstrou ser capaz e chamou à atenção dos diretores por ser responsável de um aumento altamente significativo no lucro da empresa.

Os diretores, donos de outras três empresas, perceberam que era de Mauricio que eles precisavam na área de cosméticos. A empresa de cosméticos estava com os lucros estagnados e as estatísticas demonstravam que teriam dias piores. Imediatamente mandaram embora o gerente da empresa e colocaram Mauricio no lugar.

Mauricio tinha um jeito diferente do último gerente, era um cara mais rígido com o trabalho e exigia da máxima capacidade das pessoas. Não aceitava que descumprissem com o quesito mínimo de obrigação, que era serem pontuais e produtivos, exatamente o que os diretores queriam para elevar os lucros da empresa.

Quando Mauricio chegou à empresa, percebeu que um funcionário, João, era um rapaz ousado. Atrevia-se a desafiar lideres na empresa e apesar de demonstrar um bom trabalho, quando posto na balança seu lado positivo e negativo, Mauricio percebia que João iria ser “duro de roer” e atrapalharia seu modo de trabalhar para aumentar a lucratividade da empresa.

Pouco tempo depois de Mauricio assumir a gerencia João faltou ao trabalho. Mauricio quis ouvi-lo e entender o que aconteceu. João foi à sala de Mauricio e de maneira audaciosa falou – Quem você pensa que é para me questionar? Sempre fui o melhor funcionário dessa empresa.

Mauricio o mandou embora no dia seguinte.


Criei essa história para demonstrar que sempre existem dois pontos de vista. Assim provo que o BEM e o MAL são RELATIVOS.

Mauricio acreditava que João não era ideal para o cargo e seria um estorvo para o lucro almejado da empresa. Para Mauricio era JUSTO mandar João embora.

João acreditava que Mauricio era um líder ruim e que era INJUSTO que o mandasse embora.

Enquanto Mauricio achou que não cometeu nem um ato INJUSTO. João achou que Mauricio foi INJUSTO.

Mauricio jurava que João iria pagar pelo seu ato.

Gostaria agora que o (a) leitor (a) refletisse:

Será que um ladrão, acha que está sendo injusto em sair para roubar?

Muitos ladrões encaram tal rotulação a uma profissão.

Será que um homem que mata a mulher por que traiu- o com o vizinho, acha que está sendo injusto em mata-la?

Mesmo que a sociedade e até ele mesmo condene o ato, ache errado matar, ele se acha no direito de fazer por sentir- se injustiçado.

Uma vez li um livro que infelizmente não recordo o nome. Tal livro demonstra um ponto de vista que me levou a ter raiva da criança citada no texto. A criança era posta o tempo todo como abusada, desobediente, e o pior, demonstrava interesse sexual no personagem principal, enquanto o personagem esquivava-se de suas safadezas.

No final do livro o personagem principal estuprava a criança.

Achei imoral, mas no meio do livro cheguei a ter raiva da criança com o ponto de vista que fora demonstrado. Tive certeza que o estuprador achava que a criança o seduzia e que estupra-la não era um ato covarde, muito menos injusto.

Voltemos ao KARMA ou a LEI DO RETORNO. Se o bem e o mal são relativos, para quem voltaria o mal?

Enquanto um ato pode parecer ruim para mim, para você pode parecer bom. A quem a lei deve favorecer?

Vimos que o significado de lei no âmbito cientifica ou universal pode ser observado. Se KARMA ou LEI DO RETORNO existisse, TODO aquele que produz maldade (mesmo que seja relativa) seria punido. Não existiria impunidade e sabemos que não é bem assim.

Uma LEI não pode ser aplicada para situações aleatórias. A lei só pode ser aplicada para TODAS às vezes. Por exemplo, na LEI DA GRAVIDADE, se eu jogar uma bola para cima ela vai cair TODAS às vezes e em qualquer lugar do planeta.

Na LEI DO KARMA / RETORNO todas as vezes que alguém praticar alguma maldade, esse alguém tem que ser punido. Assim, não existiria INJUSTIÇA, pelo menos todos que praticaram atos covardes pagariam por tal antes de morrer.

Mas Lucas, esse alguém é punido sim, porém não podemos observar tal punição.

Porem sabe-se que nossa vida é cheia de altos e baixos. Em alguns momentos estamos bem e em outros podemos estar abalados e ter a vida “virada de cabeça para baixo”.

Será que não seria uma coincidência que o sujeito X cometer uma maldade na visão de Y para com ele e depois de alguns anos, X ter algum problema em sua vida?

Esse problema demanda que X está pagando pelo que fez a Y, mesmo que inconsciente, pois X achava ter razão para incidência?

Em outras palavras, se X fez uma maldade para Y um dia e Y ficou sabendo mais tarde que X sofreu com algum “baixo que a vida traz”, Y irá dizer: – “Está vendo, agora está pagando por tudo o que fez comigo”.

Enquanto X talvez nem tenha achado ter sido injusto ou ter feito uma maldade com Y, pois X achava estar dentro de sua razão.

Associamos, conforme expliquei no meu texto “INSTINTO E PREMONIÇÕES”, eventos que não tem ligação alguma para sustentar nossa crença. Primeiro acreditamos e somente depois buscamos explicações/conexões que as sustentem.

Já expliquei como desenvolvemos o senso de justiça e o quanto queríamos que existisse alguma justiça sobrenatural, já que a dos homens é falha e cheia de impunidade. Quanto mais pobre o país maior a religiosidade. É a conclusão de uma pesquisa Gallup feito em 114 nações.

País pobre = País com leis falhas = País injusto = Necessidade de acreditar em justiça sobrenatural.

Na Índia, comer carne de Vaca é algo considerado punível a morte. Enquanto no Brasil comemos “à volonté”. A lei do retorno sendo universal tornaria o Brasileiro cabível à punição por sermos considerados injustos aos olhos dos indianos?

Adeptos da crença utilizam exemplos do reino animal para afirmar a existência da lei do retorno. Esquecem-se, porém, de que quando falamos de animais tendemos a antropomorfização (atribuir características e sentimentos humanos a outros animais), bem como não percebem que a estrutura corporal é diversificada, inclusive citam animais que não possuem o sistema límbico (não possuem sentimentos).

Voltando a estória de João e Mauricio. Hoje, o ex-funcionário João tem certeza que o chefe Mauricio foi mandado embora e está morando nas ruas (conforme boatos), porque foi injusto com João.

João NÃO analisou que talvez Mauricio tivesse feito parte de uma LEI que realmente existe e encaixa-se perfeitamente no sentido cientifico. Uma lei racional que diz – para toda ação existe uma reação – e que as ações de Mauricio o levaram a prejudicar muita gente e não poder contar com essas pessoas mais tarde quando precisou.

Mas olha! Isso não tem nada de sobrenatural, tá?

254

 

Referencias :

http://www1.folha.uol.com.br/poder/805103-quanto-mais-religioso-mais-pobre-tende-a-ser-um-pais-diz-pesquisa.shtml

http://www.significados.com.br/lei/

Anúncios

Deixe seu comentário ou sugira o assunto do seu interesse para futuras publicações!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s