ANIQUILAÇÃO: Uma solução?

Por Leandro Ferraz

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A matéria citada essa semana é um tremendo absurdo. Absurdo esse desferido por um site gospel, mais precisamente no dia primeiro de dezembro de 2014, onde o portal faz a infeliz citação logo no título da matéria “Pastor defende matar gays e bissexuais para fim da Aids” Parece até uma brincadeira de mal gosto, diga-se de passagem, mais infelizmente venho dizer que não se trata disso, e vocês verão que a intenção é bem o contrário…

A matéria já começa da seguinte forma “O pastor afirma que todos os gays são pedófilos e que odiar e condenar a homossexualidade é amar a Deus e praticar o cristianismo. Para início de conversa, gostaria realmente de saber em que lugar do mundo (a não ser no mundo paralelo dos religiosos), sentimentos de ódio e condenação são sinônimos de adoração a Deus? O propósito das religiões não são justamente o contrário? No livro tão venerados e incontestável por eles tem a seguinte citação “”Não julguem, para que vocês não sejam julgados. Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês. “Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho? Como você pode dizer ao seu irmão: ‘Deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando há uma viga no seu? Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão.  Mateus 7:1-5

No livro de devoção usado por eles, o mesmo prega o não julgamento como citado no versículo acima, mais pelo visto não estão seguindo os ensinamentos descritos nele, uma vez que agem totalmente pregando o contrário, acusando, incitando a violência,  e indo contra os valores que os mesmos se gabam tanto de seguir, se enquadrar.

Se a intenção era polemizar, parabéns! Mais isso não impediu de soar ignorante as declarações. O pastor também chega a citar o seguinte “Ele defendeu que o genocídio do grupo LGBT é a melhor forma de combater o vírus, já que, segundo ele, “estatísticas mostram que 90% dos infectados são gays”. A platéia presente onde o programa foi ao ar chegou a rir em algum momento do discurso, ao que ele respondeu que “bichas não são aceitas em sua igreja”.

Estranho uma pessoa que se diz um “servo de Deus” recriminar e disseminar o ódio gratuito entre as raças dessa forma, esse sentimento de repúdio se deve simplesmente por uma opção sexual diferente? Não se pode julgar as pessoas dessa forma, o contágio da doença está sujeito a qualquer etnia, classe social, opção sexual, credo, raça, cor e etc… E se os filhos deles vierem a ser homossexuais, e por exemplo eles como pais ouvissem da boca de outros essa mesma barbárie, continuariam pensando da mesma forma e defendendo o genocídio? Pois corriam o risco de contaminar a humanidade com HIV? Ou por se tratar de seus filhos pensariam de outra forma? O contágio se deve a não prevenção no momento do ato sexual, compartilhamento de seringas e etc, e não está ligado diretamente a orientação sexual de cada um.

Imaginem se essa moda pega, e sairmos por ai fazendo “justiça” com as próprias mãos, agredindo pessoas de bem apenas por sua orientação sexual, supondo que as mesmas estão infectadas e são culpadas pelo contágio da doença? Seria um regresso enorme perante o que se foi conquistado até hoje referente a homossexualidade, para termos uma idéia da evolução referente ao tratamento do assunto a opção sexual já veio a ser tratada em tempos mais primórdios como doença mental, e não da forma como é tratada hoje, como uma variável da sexualidade.

O pior de tudo isso é saber que existem pessoas que conseguem defender esse tipo de pensamento, pessoas que sofrem verdadeiras lavagens cerebrais dentro das igrejas e que saem pensando exatamente dessa forma, não tendo ciência da força que um discurso de ódio desse pode ter, contribuindo ainda mais para a intolerância entre as diversidades e violência gratuita.

Essa semana não deixarei uma frase para fecharmos, deixarei a citação de um ateu que tenho muita admiração: “Os que se sentem ultrajados pela presença de homossexuais na vizinhança, que procurem dentro das próprias inclinações sexuais as razões para justificar o ultraje. Ao contrário dos conturbados e inseguros, mulheres e homens em paz com a sexualidade pessoal costumam aceitar a alheia com respeito e naturalidade” (Drauzio Varella).

Grande abraço, até a próxima quarta-feira!

Segue link da reportagem citada na matéria: http://folhagospel.com/modules/news/article.php?storyid=29473

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