MORALIDADE RELIGIOSA, LAVAGEM CEREBRAL E CONDICIONAMENTO PSICOLÓGICO

Por Jacqueline K 10850076_426197407529115_569387132419807785_n

Quando o Cristianismo diz que Cristo morreu por você, o que ele está dizendo é que o Cristianismo é uma religião de sacrifício humano: alguém precisava morrer pelos seus supostos erros e esse alguém merece, por isso, obediência.

A moral cristã é baseada na ideia de que o ser humano é sujo, pervertido, tendente ao mal e que, por isso, o próprio Deus sacrificou o seu filho para nos libertar desse mal.

Quem decide os valores morais que serão incutidos nas crianças desde que começam a pensar?

A resposta mais óbvia é a família. Porém, a família não é uma entidade isolada, ela é composta por pessoas que vivem em uma sociedade e esta sociedade possui seus valores que advoga das mais diferentes formas. A religião dos pais é uma das ditadoras da “moral e dos bons costumes” e a mais presente na nossa sociedade, uma vez que somos majoritariamente cristãos.

Desde cedo, toda a nossa vida está permeada por conceitos cristãos, ainda que alguns desses pais não sejam cristãos lá muito praticantes; o Cristianismo, desde a invasão portuguesa no Brasil, impôs-se como norma moral vigente e única aceitável.

A moral cristã ditada na Bíblia não é constituída apenas dos bons conselhos e ensinamentos de Cristo.

Quando o Cristianismo diz que o sangue e o corpo de Cristo devem ser ingeridos, seja na transubstanciação, seja de forma simbólica, o Cristianismo está se assumindo uma religião de canibalismo. Está propagando a ideia dos nossos antepassados das cavernas que acreditavam que as qualidades do morto seriam absorvidas pelo consumo de seu corpo; está propagando a ideia de que o sangue derramado É uma prova de amor. Ou seja: o Cristianismo possui basicamente as mesmas raízes da mitologia pré-histórica; o sangue derramado acalma os deuses; consumir a carne de alguém é consumir suas qualidades (ainda que simbolicamente).

Ninguém precisou dizer a você para não devorar seu amiguinho, como disse José Ângelo Gaiarsa. Não há exemplos na sua infância de pessoas devorando pessoas sem que isto não seja mostrado como um exemplo de selvageria primitiva, sátira, ou crime.

O canibalismo não é aceito na nossa sociedade e isto está claro na cultura em que estamos inseridos, desde desenhos animados tirando sarro com tribos antropófagas a filmes de terror de zumbis. Além do mais, canibalismo, mesmo que consentido, É crime.

Está mais do que claro.

A moral cristã advoga conceitos contra a natureza humana, contra a liberdade humana, contra o direito que cada um de nós tem de viver sua vida como bem lhe apetece e, mais importante, viver sua vida sendo fiel a si mesmo, inclusive ditando os papeis sociais determinados pelo gênero: homem com mulher e ponto final.

Tudo direcionando sua mente para entender que seu destino é relacionar-se sexualmente com pessoas do gênero oposto. Desta forma, quando alguém é incutido desde cedo com determinados valores religiosos a tendência é aceitar tais valores como naturais, verdadeiros e os únicos corretos, por que “mamãe e papai e a minha religião disseram que era assim.”

Quanto à homossexualidade, mesmo que seus pais não sejam lá muito seguidores do Cristianismo, não foi preciso que alguém lhe dissesse que você não deveria se interessar sexualmente por alguém do seu gênero.

Muito antes da puberdade, você já sabia que se demonstrasse seus interesses românticos em alguém do mesmo gênero isso não seria visto com bons olhos. Não houve necessariamente alguém para lhe dizer, na pré-escola, que homens namoram mulheres e não mulheres namoram mulheres ou homens namoram homens. De novo, temos a defesa desta ideia, de modo geral, pela família, que deixou claro que uma família de verdade é composta por papai e mamãe.

A divulgação desta ideia cristã também vem através da mídia, sem que seja realmente dita em voz alta: todos os personagens masculinos querem namorar a mocinha. Toda mocinha quer namorar o herói. As piadinhas envolvendo gays, a separação das tarefas domésticas e das brincadeiras em “coisa de menina” e “coisa de menino”, as competições escolares de menino contra menina, as orientações familiares sobre com quem você deveria brincar…

Alguém pode questionar o porquê de eu ter colocado o canibalismo, a homossexualidade e a religião num mesmo texto sobre lavagem cerebral e condicionamento psicológico.

A resposta é que estou tentando provar que as ideias que você traz, de forma automática e sem pensar, fazem parte de um conjunto de valores e ideologias consuetudinários de determinados grupos sociais e lhe são repassados sem que você perceba, pela sociedade em que você vive.

Sendo, a sociedade em que você vive, normatizada pelo modo de pensar cristão, automaticamente suas ideias estarão imbuídas da moral cristã, mesmo que você, a rigor, não tenha sido doutrinado nesta religião.

Acho isto tão óbvio que quase me envergonho de considerar necessário escrever sobre.

Mas considero sim, pois a quantidade de pessoas agindo de acordo com valores cristãos preconceituosos, sem perceber e sem admitir sequer questioná-los, mesmo sendo ateus, é absurdamente enorme, e as consequências destas ações baseadas em conceitos errôneos são desastrosas para a vida em sociedade.

Não, não estou defendendo o canibalismo, embora no meu livro preferido (Um Estranho numa Terra Estranha) ele faça todo o sentido e seja até singelo e poético.

Estou defendendo que as opiniões que você tem sobre as outras pessoas podem e devem ser revistas sempre, pois refletem as ideias de um grupo específico: a religião cristã. Ideias precisam ser constantemente postas à prova, justamente para que se investigue sua origem e assim, o indivíduo possa praticar o criticismo e libertar-se da lavagem cerebral e do condicionamento psicológico a que todos nós somos expostos.

As muitas formas de lavagem cerebral e condicionamento psicológico são reais e estão a pleno vapor para moldar seu pensamento, desde que você começa a usá-lo.

Quando alguém antes igualitário, justo e livre de preconceitos como uma criança passa a enxergar o próximo a partir de ideias preconceituosas por força da formação familiar, religiosa e midiática, dá-se o que eu considero uma lavagem cerebral.

Para uma menininha suficientemente pequena, digamos, antes dos cinco anos de idade, não há diferenças negativas entre ela e o amiguinho que gosta de brincar de boneca e de usar a sainha da irmã. Nem entre ela e aquela outra criança de cor de pele diferente da sua, de olhinhos puxados e língua de fora ou numa cadeira de rodas. Para as crianças, todos os seres humanos são verdadeiramente iguais.

As diferenças supostamente negativas ou positivas serão enfiadas na cabecinha delas pela família e pela sociedade, e o resultado é alguém que considera outras pessoas inferiores em alguma instância, a partir de apenas um ou dois aspectos.

O condicionamento psicológico a que estamos sujeitos desde os nossos primeiros anos de idade tem força e, para ser quebrado, necessita de um despertar.

Um abrir de olhos.

A necessidade de se saber dono de suas próprias opiniões e não um reprodutor de frases feitas, conceitos superficiais e comportamentos nocivos a nós mesmos e aos outros seres humanos com quem convivemos. Quando questionamos e investigamos todas as verdades familiares, políticas, religiosas e morais em que acreditamos, passamos a investigar e a formar nossas próprias opiniões, baseadas na informação.

As nossas ideias anteriores podem ruir durante o processo. Mas também podem ser reforçadas.

Pensar sobre o que cremos e quem somos não é uma ameaça, é uma forma de sermos donos de nosso destino e de nossas ações.

Da próxima vez em que você se deparar com um homossexual, tente enxergá-lo além deste aspecto. Não se restrinja à sexualidade, afinal, esta é apenas uma das facetas daquele ser humano.

Quando você se deparar com uma mulher empoderada, independente sexualmente e dona de seu próprio corpo, tente despir-se de toda a moralidade cristã sobre comportamento sexual, e a enxergue como ela é: um ser humano igual a você em direitos.

Assim também da próxima vez em que você conhecer um ateu. Não se prenda à questão da crença. Um ateu, tendo se libertado dos preconceitos do deus bíblico, possuirá sua própria moralidade, não ditada por um livro misógino, homofóbico, sexista e cruel, mas antes pela lógica e pela ética humana da igualdade.

Nenhum ser humano é unicamente uma de suas características, ao contrário, somos todos compostos de múltiplos aspectos, valores, escrúpulos, posicionamentos; tudo isso merece ser revisto o tempo todo, em busca de uma melhor convivência social, onde todos os seres humanos são de fato iguais, sem que um deus lhes diga quem é e quem não é bom, justo, merecedor de prêmios ou castigos.

Temos as leis para isso, e, em caso de falha destas, temos mecanismos para mudá-las e adequá-las à ética dos direitos humanos.

Nenhum ser capaz de raciocínio lógico como o ser humano deveria permitir que o condicionamento psicológico e a lavagem cerebral determinem quem ele é e como se relaciona com o mundo.

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