Pensamento Ateísta, Cético ou Agnóstico.

Por Welbert Cabral

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Bom dia (tarde/noite) galera!

Hoje vamos abordar um tema que tem se tornado cada vez mais popular: o PENSAMENTO ATEÍSTA.
Para compreender isso precisamos verificar sua epistemologia e terminologia, para assim poder diagnosticar o sentido que mais se aproxima do que este termo realmente expressa.

Vem comigo?!

Talvez a palavra pensamento seja a mais fácil de compreender, pois trata-se da arte de refletir, de por à prova as ideias, é por definição a arte de pensar (óbvio né?!). Por isso não me aterei a ele!

Já  a palavra ATEÍSTA é derivada das palavras “ateu” e ateísmo”. Ateu tem sua origem no grego atheos(sem deus, negação a deuses), era atribuido a todos que confrontassem a religião dominante de sua  cultura, como no caso de Sócrates que foi acusado de ser ateu, e da apostasia retratada por alguns livros sagrados, como a bíblia (Salmos 14:1). O termo ateísmo foi cunhado por volta do século XVII como forma de confrontar diretamente o teísmo (ou seja, confrontar a religião dominante/dominadora).
Obs: Não é minha intenção neste texto definir o ateísmo, mas sim o título proposto.

Podemos entender de forma simples, então, que o PENSAMENTO ATEÍSTA é a arte de refletir de forma crítica ao teísmo, de modo a confrontar diretamente as religiões dominantes/dominadoras.


Talvez você se pergunte:

– Mas não seria pensamento cético?

Até poderia ser, pois ceticismo é um estado de quem descrê de tudo, questiona tudo, dúvida de tudo.  Porém, o ateísmo é restrito a descrença em deus(es). O ceticismo é uma posição “segura”, pois permite-se estar errado. E penso ser uma posição admirável para quem o segue em seu amplo sentido.

Segundo o site SIGNIFICADOS (http://www.significados.com.br/ceticismo/), o ceticismo é um sistema filosófico fundado pelo filósofo grego Pirro (318 a.C.-272 a.C.), que tem por base a afirmação de que o homem não tem capacidade de atingir a certeza absoluta sobre uma verdade ou conhecimento específico.

Contudo, o pensamento ateísta propõe que é possível sim mostrar que o teísmo é inverdade, e que esse(s) deus(es) promovido pelos teístas é uma farsa, uma mentira, um disparate totalmente desnecessário em qualquer que seja a hipótese. E isso distancia o pensamento proposto do termo “ceticismo”, já que se acredita em uma possível verdade.


Ou talvez você pergunte:

– Mas então não seria agnosticismo?

Também não!

O agnosticismo foi inicialmente cunhado do grego agnostos (irreconhecível) por  Thomas Huxley em 1869, como forma de confrontar o gnosticismo (filosofia que propõe ser possível conhecer de forma verrossimel a existência de deus-es),confrontando – teoricamente – o teísmo e o ateísmo, no seguinte contexto:  Acredito não ser possível atingir o verdadeiro conhecimento referente a existência de deuses), portanto nego-me a responder a pergunta se deus(es) existe ou não.

Porém, vale ressaltar que o agnosticismo, dentro deste contexto NÃO NEGA O ATEÍSMO, vejamos como (atente-se as premissas):

1– o teísmo convencional = AFIRMA ser possível o conhecimento sobre deus, logo ele sustenta a hipótese  de que existe(m) deus(es).

2-o gnosticismo = AFIRMA ser possível o conhecimento sobre deus(es)

3– O ateísmo  convencional = NEGA ser possível o conhecimento sobre deus, logo ele nega a hipótese primária de que existe(m) deus(es).

4– o agnosticismo = NEGA ser possível o conhecimento sobre deus(es).

– Se 2 é verdadeiro, o GNOSTICISMO provê argumentações para o 1 negar o 3.

– Se 4 é verdadeiro, o AGNOSTICISMO provê argumentações para o 3 negar o 1.


Logo, o agnosticismo pode ser um instrumento para o ateísmo convencional.


O agnosticismo NÃO SERVE como resposta para a pergunta: “Você CRÊ em deus(es)?” . Da mesma forma que o ateísmo NÃO SERVE como resposta para a pergunta: “Você SABE se deu(es) existe(m)?”. Pois o agnosticismo trata sobre o CONHECIMENTO, e não sobre CRENÇA ou DESCRENÇA em deus(es).

Porém, como o agnosticismo nega a possibilidade de adquirir o conhecimento sobre deus(es), não relaciona com o sentido proposto pelo termo “pensamento ateísta”, podendo ser apenas um dos instrumentos que os adeptos a esse pensamento pode utilizar.


Portanto, podemos concluir que a atitude do PENSAMENTO ATEÍSTA surge como forma de confrontar o TEÍSMO contemporâneo, tanto como forma de imposição cultural quanto política. Na tentativa de mostrar que existe uma parcela da sociedade que NÃO concorda com as sandices religiosas, e afirmam que a crença na existência de deus(es) não é um consenso, já que existem aqueles que rejeitam essa hipótese.  Fazendo, então um convite à todos, e todas, a pensar fora da caixa,  a sair da zona de conforto e conflitar seus tabus e dogmas religiosos.“podemos concluir que a atitude do PENSAMENTO ATEÍSTA surge como forma de confrontar o TEÍSMO contemporâneo, tanto como forma de imposição cultural quanto política. Na tentativa de mostrar que existe uma parcela da sociedade que NÃO concorda com as sandices religiosas, e afirmam que a crença na existência de deus(es) não é um consenso, já que existem aqueles que rejeitam essa hipótese. Fazendo, então um convite à todos, e todas, a pensar fora da caixa,  e principalmente a sair da zona de conforto sem medo de conflitar seus tabus e dogmas religiosos.

Uma breve história da religião

Dica de leituras:

Armstrong, K. (1993). History of God: The 4000-Year Quest of Judaism, Christianity, and Islam. Great Britain: William Heinemann Ltd.

Dawkins, R. (2007). Deus, um Delírio (em inglês: God, Delusion). São Paulo: Companhia das Letras. (Trabalho original publicado em 2006).

Laraia, R. B. (2001). CULTURA Um conceito antropológico. Jorge Zahar Editor: Rio de Janeiro.

Martin, S. L. (2014). Comunicação e ateísmo: Novas contexturas no Brasil. Dissertação de Mestrado, Universidade Municipal de São Caetano do Sul, São Caetano do Sul, São Paulo, Brasil.

Platão. (1972). Defesa de Sócrates. Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural.

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6 comentários sobre “Pensamento Ateísta, Cético ou Agnóstico.

  1. Pingback: ATITUDES: Ateu Nato X Ateu Naturalizado X Ateu Militante X Ateísta Kultur | AASA: Ateus e Agnósticos-Sociedade Ateísta

  2. Sinto muito, mas não.

    Ateísmo não é pensamento, e sim uma conclusão negativa sobre uma única questão: você aceita a existência de deus(es) como um fato?

    Esta conclusão pode ser alcançada por vários caminhos, logo a definição de teísmo/gnosticismo/agnosticismo/ateísmo se aplica, mas o resto não.

    Por exemplo: se a rejeição do teísmo é feita com base em Nietzsche e Marx (a religião é uma ferramenta de domínio baseada no medo e não em verdade), então o “pensamento ateísta” leva à repressão da crença religiosa através do poder político; contudo, se a rejeição é feita com base no Libertarismo (a religião é irracional e incapaz de direcionar decisões políticas), então o “pensamento ateísta” leva ao isolamento da crença religiosa à esfera particular (individual ou coletiva) e ao estado laico — lembrando que o nosso conceito de estado laico vem da cópia do modelo norte-americano estabelecido por pensadores como John Locke e é, em sua origem, libertário, embora hoje não se pareça em nada com o que um dia foi.

    Além do exemplo acima:
    Acredita em abdução alienígena mas não em deuses? É ateu.
    Acredita em poderes paranormais provenientes do eletromagnetismo cerebral mas não em deuses? É ateu.
    Nunca leu Nietzsche, Marx, Locke, Rothbard, Dawkins, Carrier, Myers, Harris ou Hitchens, e não crê em deuses? É ateu.

    Já que o “pensamento ateísta” está circunscrito à filosofia de onde ele emerge, mesmo que essa filosofia seja individual, tal pensamento não pode existir como uma normalização aplicável a todo e qualquer ateu.

    CONTUDO, proponho que “pensamento ateísta” seja divido em áreas:
    1. Ateísmo naturalista (metodológico): rejeita a fé como método de epistemologia válido, em especial nas ciências naturais.
    2. Ateísmo moral: rejeita o sobrenatural como fato estabelecido para decisões de certo ou errado.
    3. Ateísmo político: rejeita a fé como justificativa para decisões políticas (distribuição de poderes).
    4. Ateísmo militar (eu batizaria como “Hitchensiano”): considera que a fé cria as justificativas mais desonestas e maléficas possíveis, portanto deve ser eliminada de todos os meios, inclusive o social.

    … e, aí sim, não normalizar como um ateu deve se comportar em cada uma delas.

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    • Querido Henrique: NÃO, você não entendeu meu texto.
      Não trata-se de definir o ATEÍSMO, mas o PENSAMENTO ATEÍSTA, que aliás está bem destacado durante o texto, para evitar esta confusão.
      Esta proposta de um pensamento ateísta é MINHA, cunhei este termo na tentativa de convidar qualquer pessoa a assumir esta atitude sem precisar assumir-se ateu ou agnóstico.
      Pois vejo que muitos querem definir ou limitar os ateus ou o ateísmo ( como você mesmo fez em seu comentário, não que esteja errado).
      Tenho estudado sobre este assunto, e pretendo escrever mais sobre observações que EU tenho feito sobre este tema.
      Agradeço sua participação, vejo que tens acompanhado nosso site.
      Caso queira, nos adicione no facebook.
      Boa noite

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      • Pensamento ateísta = pensamento sem deus(es) = pensamento secular.

        Eu entendi sua proposta de pensamento ateísta como de adesão obrigatória, isto é, um ateu tem que pensar, ou já pensa, como ateu. Entendi direito? Se você quer equalizar “pensamento ateísta” com “secularismo”, então OK, mas já existe um termo e muita gente já entende o que quer dizer.

        Se eu errei na minha interpretação, a minha última sugestão continua válida: a secularização do pensamento deve ser aplicada a uma área específica visando objetivos específicos — pensamento utilitário? –, o que aproveita a compartimentalização cognitiva que todo religioso já tem que fazer.

        A minha oposição é em relação a essa associação necessária de uma conclusão (ateísmo) com comportamentos específicos. Tudo que disse foi somente para justificar esta oposição.

        Eu estou acompanhando as publicações para entender o mosaico do ateísmo no Brasil e ver se onde eu posso me encaixar e/ou ajudar. Abraço!

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