Catequização em pleno século XXI

Por Leandro Ferraz

Olá galera, essa semana trataremos de um assunto um pouco polêmico que me chamou muito a atenção essa semana. Em uma de minhas investidas no mundo cibernético, me deparei com uma notícia que achei de uma, digamos … futilidade incrível.

O título da matéria já me fez ficar intrigado e refletir, o título é o seguinte “Barco da Bíblia distribui 15 mil exemplares em comunidades ribeirinhas” matéria publicada dia 24 de novembro deste ano.

Vamos lá, será que esse povo que habita em uma localidade tão esquecida pelo governo, de tanta carência, seja ela de cultura, lazer, educação, saúde e etc, necessita mesmo é desse livro que por sinal tem versões e passagens que contradizem umas as outras?

Porque não levar realmente ajuda, cobertores, comida, educação, remédios, qual a necessidade disso? Se aproveitam da falta de instrução e cultura dos ribeirinhos e da população local, para impor suas crenças, pois os mesmos até por falta de cultura não são capazes de contestar ou indagar algo contrário ao livro “sagrado”, e nem o porquê de estarem sendo submetidos a tal situação. Isso vem a soar no meu ponto de vista como uma nova catequização, para quem não conhece o termo catequizar significa: o ensino, seja ele oral ou escrito do cristianismo, porém estão executando de forma mais modesta e menos agressiva daí veio o título da matéria.  A reportagem já começa destacando o seguinte “Por 75 dias o Barco da Bíblia atendeu a comunidade ribeirinha do Rio Amazonas, distribuindo mais de 15 mil exemplares da Bíblia em diferentes cidades de dois estados.

Já pararam pra pensar na tamanha falta de respeito com quem não tem nenhuma orientação religiosa e ainda está passando fome, será que essa ajuda é a mais adequada para o momento? Chega a ser um desrespeito com quem venha a não ter crença ou outra religião não baseada nos ensinamentos da bíblia. Ao invés de se ocuparem perdendo tempo com esse tipo de atitude deveriam utilizar esses 75 dias de forma útil levando ajuda a esses povos tão carentes e necessitados. Porque não utilizar o dízimo para essa finalidade? Porque não ajudar ao próximo, não pregar a solidariedade, assim como preza o livro “sagrado” que foi distribuído inutilmente para a população.

Essa mesma embarcação também agrega o museu da bíblia (incrível como não cobraram entrada dos ribeirinhos rsrs…) Pois sempre arrumam uma forma de arrecadação, seja ela direta ou indireta.

Venho ressaltar também a seguinte parte ““Todos se envolveram com muito amor e dedicação em mais esta ação da SBB (Sociedade Bíblica do Brasil). Visitamos várias cidades e, com certeza, vidas foram transformadas por meio da Palavra de Deus” Essa transformação vem a ser realmente a necessária para um povo que vive na miséria? As palavras divinas podem até servir como alento para esse povo, mais eles necessitam bem mais de ajuda material do que divina. Em pleno século XXI catequizá-los como aconteceu com os índios no descobrimento do Brasil, uma vez que a população vive nessas circunstâncias, é o mais ideal? Espero realmente que essas investidas venham a ajudar e não impor suas religiões se aproveitando do baixo grau de instrução dos demais. Na matéria também chegam a destacar que o projeto possui duas embarcações, uma com ambulatório e consultórios médicos e a que distribui o livro “sagrado.” Que por favor, passem a utilizar as duas para a mesma finalidade da primeira, pois para um povo tão necessitado, ser catequizado é o que eles menos precisam no momento.

Espero o dia em que a verdadeira solidariedade reinará na terra, e não essa travestida de catequização, onde dão com uma mão e tomam com a outra. Enquanto o ser humano se aproveitar da situação alheia e tiver sempre o intuito de levar vantagem em tudo, independente da situação em que se encontre o próximo, teremos como exemplo exatamente esse tipo de situação. Gostaria de saber profundamente se pelo menos se deram o trabalho de pensar que nessas comunidades com esse nível de carência a grande parte da população é analfabeta, o que impossibilita a leitura e muito menos a compreensão, uma vez que a bíblia não utiliza uma linguagem muito casual e de fácil entendimento.

Para fechar deixo a vocês uma frase de Isaac Asimov: “Lida propriamente, a Bíblia é a força mais potente para o ateísmo jamais concebida…”

Segue o link da matéria citada: http://noticias.gospelprime.com.br/barco-da-biblia-15-mil-exemplares/

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